Cut day. 

Fui só cortar o cabelo. Basicamente assim que tenho tempo, “fujo” para algum lugar onde me seja permitido toque. Tenho uma necessidade incrível de um abraço, de tocar nas mãos, que me toquem no cabelo..Chega a acontecer eu pedir para me cortarem mais o cabelo porque não quero perder esse toque físico. Eu não sei se há mais pessoas assim, se isto é sequer normal, mas é a mais pura das verdades. Não sei se alguém o sabe.

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Há ir e vir. 

Há bocadinho na SIC, nas notícias, ouvi uma reportagem acerca dos emigrantes que lentamente regressam a Portugal.. Falamos de cerca de 75 mil portugueses que já regressaram.. Entrevistaram 2 casos, em Inglaterra, que regressarão em breve. 

Quando falamos de emigração falamos de 2 tipos diferentes de a encarar.. 

1) os que vão e decididamente querem voltar e sabem disso desde o primeiro minuto. 

2) e os que vão para ficar por tempo indeterminado, até que o país os queira, mas que antes de regressarem a Portugal, com 80 anos, podem até rodar mais 10 países. Estas são as pessoas que aprendem de imediato a língua local, tratam rapidamente de perceber como se obtém a residência permanente e com um bocado de sorte tentam perceber como se pode obter a dupla nacionalidade.. São as tais pessoas que falam mal de Portugal aos portugueses e o elogiam aos estrangeiros. . 

Eu vivi 3 anos lá fora. Fui uma dessas 75 mil pessoas que regressaram agora. No meu caso, que se inclui claramente na alínea 1, sempre soube que iria regressar.. E não teve a ver com o país onde estava que assumo tem boas condições de vida, e se calhar me proporcionava uma série de coisas que aqui não tenho.. 

Nunca sequer equacionei ficar naquele ou noutro país. Vivi cada dia com a vívida esperança de que fosse o último “dia tal” que lá passava .. “O último 12 de Março que aqui passo, o último 13 de Junho que passo longe do Sto. António” .. Foi a defesa que arranjei para superar e me aguentar. . 

Troquei os cenários de fotografia de outro mundo por o país que me viu nascer.. Troquei o inglês pela minha língua de sempre, troquei 9 dias no Natal, por kms longe dos que gosto mas que se reduzem a poucas horas de carro, troquei a escuridão dos dias pequenos, por uma janela que me oferece diariamente ao raiar do dia um espectáculo de apelo à vida a que não posso ficar indiferente.. Troquei as amizades internacionais pelas amigas que não vejo mas sei que estão cá, sempre. Troquei o conforto de uma casa a 24 graus por subidas e descidas diárias a carregar lenha para acender uma lareira.. Troquei a solidão de um país que não me pertence por uma outra solidão mas na minha língua.. 

Troquei muita coisa, virei tudo de pernas para o ar, mas nunca esquecerei como sorria quando cheguei, sem saber sequer que era [apenas] por cá estar, mais perto.. Depois perguntavam-me se estava feliz.. Vi que afinal aqui tb havia folhas vermelhas, e amarelas e céus de encantar e árvores desnudas e especiais.. Que pena nunca as ter visto outrora.. 

Troquei muita coisa, virei uma outra pessoa. Se me perguntassem se valeu a pena, eu diria que sim. Pela imensa felicidade que senti ao regressar, pela pertença que só aqui sinto, por ser mais eu aqui… e porque precisei sair para saber isso. E porque afinal de contas por mais voltas que desse ao mundo, o meu lugar seria sempre aqui, no meu país. 

Fui uma das 75 mil que regressou. Sabia-o. Desde o primeiro minuto. 

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Isto tudo. Quando o sorriso das pessoas depende do que elas não conseguem controlar, às vezes acontecem estes desapontamentos. 

Por isso é que devemos depender de Nós. Apenas. E a satisfação dos dias depender de acções dos outros?! .. Enfim… 

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De um novo dia. 

Mais um dia a despontar.. Mês de Dezembro, feriado, tempo de agitação com coisas tantas vezes supérfluas. 

Gosto de presentes simples mas cheios de significado, gosto de lembrancinhas [daquelas que não servem para nada eu sei]; há coisas tão giras, tão cheias de tudo.. Depois há quem gaste um dinheirão em presentes que podem ser bons mas são aquilo e aquilo mesmo, nada acrescentam de novo.. 

Não sou pessoa de perder horas em compras, de estar em filas doidas ou em shoppings a abarrotar. Gosto de fazer os meus embrulhos e os encher de mim, aquilo tem que “cheirar” a mim.. 

Hoje é um novo dia e ontem  agradeci [muito] a oportunidade que me foi dada de ter trabalhado.. Quem trabalha, vive mais. 

Bom dia para esse lado

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