Bom dia, Vida. 

O que é bom acaba depressa.. Deu para inspirar o céu azul que por lá há, os pores de sol para lá de fantásticos, as coisas simples que o meu paraíso tem, ver os do meu sangue, correr 2 vezes 5 kms e não sentir as nádegas, as virilhas, e o resto das pernas, comer um pires pequeno de caracóis que me soube pela vida, e ter, juro, muita dificuldade em regressar. Ficava lá já, de férias, durante um mês seguido.

Bom dia para esse lado, aqui, o tempo ainda é de trabalho, e o certo é que tão grata sou por o ter.

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Bom dia, nova segunda. 

Nova semana, novos projectos, o mesmo tempo ainda assim cinzento e sem estabilidade para apanhar sequer uma cor nos braços.

Benditos os que têm férias em sítios com cor, com sol aberto, com águas calmas para mergulhos e límpidas para fotografar. Aprendi a aceitar o que a vida vai trazendo, o muito, o assim assim e o pouco, poucochinho, o que dela posso retirar.

Bom dia para esse lado.

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Da superação. 

Não faço exercício há muito tempo. Nem consigo perceber desde quando, mas sei, tenho a certeza, que há muito.
Deixei de ter tempo ou se calhar apenas deixei de estar focada, concentrada, de conseguir ter força para fazer exercício. Durante meses vivi num limbo, entre uma atenção redobrada que tinha que dar ao meu filho a todas as tarefas [e foram tantas] que tive que fazer. Tive imensos projectos, tive imensa matéria para estudar com o pequeno, tive imensos kms para fazer [muitos dir-me-ão que aquilo não é nada, percebo], imensas refeições para cozinhar. No meio de tudo isso o exercício ficou para o lado. Sentia um pontinha de inveja de cada vez que via imagens de pessoas a fazer exercício. Deixei de conseguir caminhar à beira de estradas, tenho medo do som dos carros, de atravessar passadeiras.

Mas no meu paraíso tenho todas as condições para correr, uma estrada de terra batida tratada e passeio largo até ao mar. Ontem cheguei, e a par de uma corrida para profissionais com 10 kms, fui correr. Fiz o trajecto oposto à corrida, eles vinham para cá eu ía para lá, e vice versa. Eles fizeram 10 kms eu fiz 5. Mas fiz, sem parar, a aguentar-me como não pensei ser possível. Não sei como está o meu corpo hoje, sei que ontem me superei.. E como me senti bem.

Esta foi para vós, por me incitarem cada dia a ser mais forte, por terem uma garra brutal que não se vos acaba e me motiva.

Estive meses e meses sem fazer nada, fiz 5 kms e não parei nunca a cada trajecto. Porra, que orgulho.

Bom dia, Especiais.

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The day after. 

O dia a seguir aos meus anos é tramado. É sempre aquele dia em que me sinto mais sozinha, mais a leste, mais entristecida.. Porque, no fundo, gosto de fazer anos.. Embora seja a passagem dos anos, que fogem, é certo, tão velozes e tão rápidos é sempre um dia marcante para mim. Um ano pode ser muito e pode ser tão pouco. A noção do tempo é tão relativa..

[Gosto de ouvir as vozes de quem me quer bem. Uns queixam-se do dia de aniversário, no meu caso é o dia melhor do ano. Mesmo sem bolo, mesmo sem velas. Porque sim].

Boa Noite saia ondulante num Inverno disfarçado de Primavera,

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Bom dia, Estrelas. 

O tempo está cinzento de novo. Não há sol radiante, nem céu azul, nem céus cor de rosa a fechar os dias. Tem sido atípico este começo de Verão [que ainda não houve]. As estações já não são mais como estavam definidas nos calendários, agora é “p’raqui”  uma coisa qualquer, um emaranhado que não se percebe.

Tenho uma dor de cabeça horrível que já me obrigou a tomar um comprimido.. Coisas dos tempos das mulheres que não escolhem datas nem eventos. Agora só quero ficar bem.

Bom dia, Especiais.

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Mine. 

Hoje é o meu aniversário.

Não há bolo, não faço festa, mas tenho o coração cheio porque me chegaram os desejos de quem me é verdadeiramente especial.. Que pode passar o tempo que passar, tem e terá um lugar cativo no meu coração. Porque a imensidão e a grandeza de quem nos é Especial não se mede com festas, com prendas, com telefonemas fingidos, daqueles fugazes para marcar calendário. Mede-se com aquela genuidade que temos apenas com os Especiais. As gargalhadas sinceras, as lágrimas forradas e engolidas ali pelas enormes pestanas, os sorrisos cúmplices, os sons de quem nos conhece como as nossas palminhas, a grandeza do que é único. 

Costumo dizer que conheço muita gente [e conheço] mas os Especiais, esses, são muito poucos, são cada vez menos, são os que perduram nos anos feitos décadas. São os que sabem mais de nós que quaisquer outros, os que nos adivinham a tristeza, a solidão, os que se demoram em conversas intermináveis, porque o tempo e o assunto nunca se esgotam.. Não há pessoas que goste mais, com quem goste mais de falar.

Pode ser um dia de aniversário simples, sem grandes alaridos, mas tenho o dia ganho. Preciso de pouco. Preciso de muito pouco.

Obrigada

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When rescue means love.. 

Confesso que há muito um acontecimento internacional não me causava tanta ansiedade, tanta expectativa, tanta curiosidade sobre o desenrolar das operações.

12 meninos pertencentes a uma equipa de futebol tailandesa e o treinador, ficaram encurralados numa gruta durante mais de 16 dias. Foram resgatados, um a um, naquele que considero ter sido dos maiores e mais recentes actos altruístas de que tenho memória. A prova viva de que o que interessa nesta vida vai muito para além do que se tem, do que se possui, do que se ambiciona. Vi dezenas de horas de cobertura televisiva nacional e internacional, deste caso. Porque me chocou, porque tenho um filho daquelas idades, que joga futebol e poderia cada um daqueles meninos, ser meu filho. E em tailandês, chinês, ucraniano ou russo, ficou bem patente que o amor é universal e rege-se pelos mesmos pilares.

Benditos os corajosos que avançaram sem medo em busca de resgatar, uma a uma, cada criança, cada história, cada Vida.. Não consigo imaginar o que sentiram, não quero ser invejosa mas confesso que ambiciono a resiliência e a calma que usaram para conseguirem a superação. Não sei quantas horas aguentaria, nem sei muito bem se sairia viva da gruta alguma vez. Tenho problemas com sítios escuros, claustrofóbicos, com grutas e concavidades, lido mal com o desconhecido e o medo faz com que não seja capaz de nada. Seria incapaz de mergulhar durante muito tempo, não consigo gerir a cara debaixo de água, e fiquei quase em hiperventilacao ao ver algumas imagens de como decorreu todo o processo. 
Apenas há a lamentar a perda de uma pessoa, e se não fosse isso, tudo teria sido perfeito. Assim, sabe um bocadinho a fel porque aquela vida se perdeu, e que tanto custa pensar que alguém tenha interrompido as suas férias para ajudar e assim tenham acabado todos os seus sonhos e os daqueles que os partilhavam com ele.

Ainda assim é de louvar todo o processo. A forma como ciência e amor deram as mãos, em prol de salvar vidas. Porque a vida humana é tão somente a mais preciosa das pedras.. Não há palavra para descrever o sufoco e a angústia só de imaginar que algum daqueles meninos não se conseguiria salvar.

[Nunca meditei. Nunca soube nem sei como se faz. Sempre que me pedem para me concentrar, fechando os olhos, eu, sorrateiramente, abro um devagarinho, e sorrio. Sou como uma criança. Mas não tailandesa.

São quarenta e 2, forrados a muitos sonhos. Todas as horas dos dias.] 

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