Read. Love it.

E começo o ano assim.
Um novo livro, a mesma mantinha.

Há coisas que nunca mudam.
Tão bom.

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Do som dos ponteiros.

A minha avó sempre foi a mais valente velhota que conheci.
Morreu aos 94 anos.

Hoje é o dia do seu aniversário.
Faria hoje 101 anos. Que não fez na vida terrena, mas pelo menos dentro de mim, os cumpriu todos, ano após ano, até hoje.

Nunca conheci nenhum dos meus avôs. Haviam morrido há muitos anos quando nasci. As minhas avós sempre foram o pilar, principalmente esta, a avó Mariana.

A avó Mariana era uma durona. O marido morrera há muitos anos atrás e ela teve toda a carga ás suas costas, com todos os filhos para criar..As mais novinhas haveriam de rumar a Lisboa, para serem acabadas de criar pelas madrinhas ou para servir em casa das senhoras da capital.

A minha mãe, como mais velha, foi a única que ficou. Não teve as oportunidades que as irmãs/ irmãos tiveram e por isso a vida lhe foi sempre mais agreste…

A minha avó era dura. Dura na maneira de ser, rija nos ossos e na saúde, agreste nas respostas e nem o colchão de palha que partilhavamos lhe amansava a rispidez. Chorava de emoção nunca de tristeza.

Sabia que ela era assim, não gostava das minhas anedotas parvas e muito menos gostava que lhe saltasse para o regaço sempre que tinha um balde cheio de figos da Índia para mim. Habituei-me à sua frieza e sempre até ao fim da sua vida a fui visitar, na busca dos abraços (quase nunca) dados.

A avó Mariana.
Morreu de pneumonia em 4 dias, aos 94 anos.
Hoje escrevi sobre ela, mas o som dos ponteiros do seu relógio de sala, ecoa todos os dias em mim.

Boa Tarde.