Da vizinhança.

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Que tudo isto é muito diferente do que sempre vivi, sem dúvida.
Que as principais diferenças são o clima, as pessoas, a comida, e o modo relaxado com que se vive a vida (profissionalmente e em família), também não tenho dúvidas.

Uma coisa que me intriga são os laços que estas pessoas estabelecem ao longo da vida. O conceito de vizinhança, esse conceito onde nós povos do Sul teimamos em quase considerar como família, a que dizemos Bom Dia, Boa Noite, a quem seguramos na porta se for necessário,  que nos preocupamos em caso de longas ausências. ..pois bem esse conceito aqui não existe.

Nada. Nicles.

Não tenho um único vizinho que conheça. Que saiba o nome, o sorriso,  os hábitos.  Nem um.
Ontem os meus vizinhos da frente mudaram-se.
Não sei quem são ou eram. Nunca os vi.
Mas vi-lhes a televisão acesa durante todo o tempo que aqui viveram. Assistiram a ski durante o Inverno e futebol no Verão.  E desenhos animados.

Era a janela com a Estrela que a fotografia mostra. No Natal ligavam-na algumas horas do dia, só quando vinham para casa.
(A minha Estrela esteve toda a época ligada. Porque preciso dela. Sempre. Todos os dias).

Eles foram embora. Uma escuridão paira onde outrora pairava a claridade da televisão.
Nunca lhes vi a cara.
Mas custa saber que esta Humanidade vive assim. Sem se sorrir, sem se cumprimentar, vivendo em caixotes colados que mais não são do que casulos…

Não é este o meu conceito de Vida.
Não é mesmo.

Boa Noite.

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