De quem (não) me passa ao lado!

Se houve coisa que apurei com o tempo foram os sentidos, à excepção do paladar.
Tenho hoje o ouvido mais apurado, e vejo tudo com olhos de ver..Não há árvore, arbusto, folha, pormenor, detalhe, que se cruze no meu caminho que eu não seja capaz de fixar de imediato…
O mesmo me acontece com as pessoas.

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Há algum tempo atrás, não sei precisar, 2anos? 1ano? 6meses? começou a cruzar-se no meu caminho um senhor. Diariamente via-o com o seu andarilho a caminhar muito, muito devagar. Idade avançada ou saúde debilitada, não conseguia perceber…sei que lhe via sofrimento em cada passada, uma tez pálida, um corpo outrora alto e esguio e hoje magro e muito, muito debilitado…
Comecei a ficar inquietada sempre que não o via..a questionar-me sobre o que se teria passado..porque não faço ideia onde vive..mas presumo que não muito longe de mim…
Não o vía há um mês.
Pensei que não teria resistido, e achei que nunca mais saberia nada dele..

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Hoje no meu trajecto voltei a ve-lo..
Está mais incapacitado a cada dia, mas ainda assim não desiste…
Passei por ele e fiquei tranquila de o ver, apesar de saber que possivelmente não está bem..
Terá feito uma cirurgia?
Terá perto de 90 ou mais anos?
Terá uma doença terminal que se recusa a aceitar?

Passei de carro..
Algo me disse para voltar atrás, e fotografa-lo, para que tivesse forma de o identificar.
Não sei se amanhã e depois volta..
Sei que gostava que soubesse que me preocupo muito com ele.
E o vi.
Todas as horas dos dias.
Todos os dias do ano.

Boa Noite.

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De Hoje.

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De Hoje.
Tempo a mudar, cores a mudar muito rapidamente.
Em 24 horas tudo fica com novas tonalidades..
Estas são as minhas.  De Hoje.

De mim.

Não gosto nada de falhar.
De não cumprir com aquilo a que me proponho, de não cumprir com o pouco que tenho para oferecer
Mas nem sempre consigo.

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Há sempre uma razão para as minhas ausências. Podem dever-se a instabilidades, medos, revoltas, fúrias, mas há sempre uma razão forte para que tal aconteça.
Sabem que não sou pessoa de desistir facilmente, mas às vezes parece que tudo se desmorona e parece-me que não sou capaz..Depois ergo-me lentamente.
O que me custa aqui não vir, não tem explicação…
O que me custa durante os dias de ausência não ter fotografias minhas ou de alguma coisa no meu telefone para vos mostrar, nem um look, nem umas mãos..
Mas não consegui. Sou sincera.
Não consegui.
Muitas vezes (imensas mesmo!) me interrogo sobre a utilidade deste meu canto…
Todos estão nas rotinas, nas suas vidas que fluem…e eu aqui..
Sei que vcs são espectadores do meu dia a dia…Mas esse dia a dia tem algum interesse?
As mãos, os meus olhares, o que como, o que sinto?

Enfim..
Não quero, não posso e não vou desistir de mim. E deste canto que é uma extensão do que sou.
Estou viva.
E isso é TUDO.