Uma Mãe. 2 Crianças.

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Ando aqui com isto meio atravessado..sem saber muito bem como o abordar.
É para mim complicado escrever sobre os outros, escrever sobre situações das quais sei apenas aquilo que todos sabem, sem conseguir milagrosamente chegar às respostas que me forneçam  aquilo que apenas pretendia saber: Porquê?

O que leva uma mãe a atirar-se ao mar com as duas filhas de 4 e 19 meses?
Que desespero não tem que atingir uma mãe para tomar uma atitude destas?!?!
Porque pediu ajuda (e por várias vezes e em várias ocasiões) às entidades e organismos que a poderiam ajudar e alguém protelou, ou não trabalhou afincadamente no agora, ou deixou para depois ou sei lá…
Isto é antes de mais, tremendamente revoltante.
Porque aquelas crianças são e foram os únicos inocentes neste caso.
E perderam a vida, injustamente, arrastadas por aquela que possivelmente seria a única pessoa no seu pequeno Mundo, em quem confiavam plenamente..

Eu não sou ninguém para julgar quem seja…não quero culpar as entidades (que não actuaram no tempo que esta mãe e meninas precisavam, que já lhes era escasso!), não conheço a verdade das acusações que falam de abusos sexuais por parte do pai (e isso não quero nem imaginar!), não conheço uma grande parte do processo.
Sei que isto me revolta.

Que a violência doméstica está a atingir níveis que antigamente não me chegavam aos ouvidos, e que até poderiam acontecer mas não eram conhecidos..

As pessoas matam-se. Umas às outras. E a elas próprias.
E é isto que é preciso ter em conta…

O desespero que uma Mãe não tem que ter para se despedir da vida, afundada numas águas geladas com uma filha em cada braço…
Não me conformo. Porque ninguém ouviu a Sónia. Com ouvidos de ouvir,  mãos de acalmar e canetas para fazer andar. Canetas, telefones, acções.
Não consigo serenar com estas situações e com a eterna questão:

Porquê?