Atentados de Bruxelas 22.03.2016

Fico um pouco impávida perante os ataques terroristas.

Fico bloqueada, sem conseguir escrever, reflectir, analisar o assunto.. a única coisa que faço é sintonizar a televisão nos canais de notícias internacionais, onde especialistas disto e daquilo dão a sua opinião, e se vêem imagens de helicópteros a sobrevoar áreas de risco, ou as imagens repetidas e consecutivamente em repetição, dos atentados.
Já aqui tinha falado disto..
Do quão complicado me parece a mim erradicar a origem destes atentados, que passa de pais para filhos, de avós para netos, de geração em geração..
A origem está assente numa crença, “numa voz que se ouve” que incita a fazer, num “modus operandi” que ninguém conhece e numa rede com tantas e tão sofisticadas teias que me parece não ter fim..
Isto é verdadeiramente assustador.
Porque acontece em todo o lado, a qualquer hora, no meio de inocentes cujas vidas seguiam o seu percurso normal..
Para mim é o pânico total..
Saber que para chegar a quem está no meu coração, dependo de aviões, de aeroportos, de check-In’s e afins..e de viagens de avião..
Horas depois dos atentados, lendo e devorando tudo o que me aparecia nas redes sociais sobre o assunto, deparei-me com esta imagem:

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Guardei-a de imediato no telefone, porque esta seria para mim, A Imagem.
É uma fotografia excelente. Um foto jornalismo feito no momento certo, no segundo preciso para resultar excelentemente.
Ontem à noite, continuando a ler, verifico que esta é a imagem dos atentados, para muitos órgãos de comunicação..

A rapariga do casaco amarelo..
Para mim o chocante nesta foto, é a crueldade que nela está inscrita, a sua naturalidade..a camisola que voou, o soutien preto, a barriga que mais não é que a barriga que nós, mães, normais tantas vezes temos não deixando de ser sensual por isso, os pés feridos, descalços, denotando uma correria desenfreada e sofredora em busca da paz, o cabelo entrançado (que tanto me diz) envolto em pó e sangue, as pulseiras, as muitas pulseiras nos pulsos, como também eu uso tanto…e depois o casaco amarelo, uma cor forte que anuncia a Primavera, uma estação florida e alegre que nos puxa para estas cores e que anuncia alegria…

E depois a serenidade da rapariga ao lado, que com mãos ensanguentadas segura delicadamente no telemóvel, possivelmente a pedir ajuda ou a tranquilizar a família que se encontra viva que é o que vale mais no meio de tudo..o cabelo quase intacto, limpo, lavado e as echarpes, a denotarem uma normalidade pousada no caos…
Esta fotografia é absolutamente soberba.

Quantas vidas, quantas histórias,  quantos pensamentos cabem nestes atentados?
Que espécie de medo passa a viver connosco de cada vez que isto acontece?
Quantas pessoas terão lágrimas a cair ao recordar este dia, por lhes ter levado a mulher, os filhos, os maridos..

A Vida tem que ser muito mais que isto..
Ninguém está seguro. Em lado nenhum.

Boa Quinta Feira (Santa)
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