Das coincidências.

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Há coisas que me custam.
Olhar para pessoas que perderam a vida a troco de irem visitar a família, num fim de semana, que se calhar contaram dias, meses, riscaram no calendário…
Pessoas que se calhar trabalhavam de sol a sol, de neve a neve, mês após mês, para amealhar uma vida melhor, um futuro melhor..

Quem anda como eu a ler o “Livro” do José Luís Peixoto, percebe como esta notícia me entrou de rajada..Quem ía naquela carrinha, que aparentemente não reunia condições para levar tanta gente, eram apenas outros tantos como o “Cosme” e o “Ilídio”. Quem tanto trabalhou e quem tanta vontade tinha de regressar aos seus, para passar uns dias, abraçar os pais, degustar o folar, e sorrir verdadeiramente com os amigos da terra..
Muito injusto morrer assim..sem saber de quê…entregaram a vida ao Ricardo de 19 anos, sem antecipar que os 19 anos não lhe davam a destreza para jogar uma cartada destas…morrer a regressar, em condições que não sabemos mas que, seguramente, não mereciam..

Ser emigrante é duro.
É querer voltar a cada instante, a cada hora, a cada segundo..é o sentimento de não pertença que não deixa sorrir nas festas que são para passar com os nossos e não num local que nada nos diz, é do nada tudo estar cinzento porque se calhar faz mais sentido assim, quando a mãe parte o folar lá longe..
Isto dói.
Dói verdadeiramente.
Machuca, destrói.

Queria não ter que escrever sobre esta notícia.. mas tb não posso não escrever sobre ela quando tanto me toca..
Eram o “Cosme” e o “Ilídio” que ali íam mas já que já não viram cumprido o sonho da casa feita na terra que os viu nascer, da garagem para o carro que haveriam de comprar um dia..da menina, mulher, que no coração, nunca deles se esquecera…

Caramba como pode ser dura e crua a realidade..

Boa Tarde, meus Especiais
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