Das perdas.

Tenho perdido muita coisa..
Tenho perdido a reposição do meu País a uma “normalidade”  depois de um processo longo de austeridade financeira..
Tenho perdido dias e meses de sol aberto [sei que de muita chuva também]..
Tenho perdido o crescimento das crianças e o envelhecimento dos mais chegados..
Perdi o desenvolvimento e todo o processo de renovação da minha praia..
Perdi tantas horas de boas conversas na minha língua materna e tantos sorrisos sinceros..
Perdi anos da minha actividade..
Perdi muita coisa..

Perdi HOJE a estreia dos meus pais no Teatro.
Com 75 anos estrearam hoje a sua primeira peça “Rapaz de Bronze”  da Sophia de Mello Breyner Andersen.
Teria estado na fila da frente..
Teria chorado como sei bem, embora agora já de forma mais contida.
Teria rido e sentido orgulho como quando olhamos a quem tanto bem queremos..
Teria aplaudido de pé no fim [e aí chorado c’mo caraças]..

Quase em simultâneo vi a actuação dos meus pais.
Cairam-me as lágrimas.
Caramba como queria lá ter estado.
Caramba.

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