Do pânico. DY 1786

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Não me considero uma pessoa agaçada, demasiado medrosa, ou exageradamente lamechas.
Sei que sou muito sensível, que topo coisas a léguas e que não tenho pudor de assumir o medo, as lágrimas, as saudades, as emoções, o que tiver que ser.

Ontem pensei que era o meu fim.
O meu e o das quase 200 pessoas que vinham a bordo do voo DY 1786.
Nunca em [algumas] viagens que tenho feito, me senti assim..
Estava tudo a decorrer dentro da normalidade, [era a segunda vez que viajava nesta companhia, e na outra vez tinha sido um voo curto, e não um voo desta dimensão], até que o pânico a bordo se instalou ao fazer a volta de quem chega a Lisboa..
Ali sobre a zona do Estoril, Almada,onde me preparava para fotografar como sempre a ponte e a chegada ao meu País..
Tudo se descontrolou, não sei precisar o quê, não sei se era velocidade a mais,  se ventos contrários, se inexperiência do piloto ou desconhecimento da rota..
Sei que pensei que era o meu fim.. Nunca acreditei que pudesse sair dali com vida. Foi horrível, assustador, e só me lembro do pânico me ter feito paralisar e agarrar-me ao banco [o senhor que vinha ao meu lado, de nacionalidade grega e casado com uma norueguesa que vinha noutro banco, com quem eu vinha em conversa há mais de uma hora.. percebeu o meu pânico [que era o dele].
Havia gritos [muitos] de crianças, adultos.. Eu paralisei..o meu pequeno não entendeu o impacto da situação, e achou divertido aquilo que só os adultos podem considerar perigoso.
Não sei precisar, em minutos, quanto tempo durou este momento de aflição.. Lembro-me de ter passado pelo zona das Docas e achar que a tragédia seria ainda maior por cair numa cidade..
Pensei que com aquela velocidade, instabilidade, era impossível aterrar..
Olhei para o senhor ao lado e vi-lhe o suor fininho a escorrer pelas patilhas, a boca seca, e o medo de quem já não acredita tb..
Fiquei branca, gelada, imóvel..
Tremia fortemente e lembro-me de ter alcançado a minha mala onde estava a minha santinha e a ter pousado nas pernas..
Foi o senhor que me tirou as malas, eu não conseguia..
Foi muito [mas muito] horrível.

Juro que pensei que era o meu fim e que nunca mais vos veria.
[Não tenho o hábito de relatar as minhas experiências em locais públicos, mas esta experiência na Norwegian Airlines merecia e tinha que ser partilhada convosco]
Foi por um triz que não se deu uma tragédia, mas estou aqui.

Um profundo abraço.
Sentido e de respiração muito profunda.
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[O pior de tudo, para além do gigante susto, foi não ter havido uma palavra por parte do piloto ou da tripulação. Podem ser parcos em palavras, mas caramba, há um mínimo].