Simples como praia. 

Gosto bastante de ler na praia, mas nem sempre consigo. Só o consigo fazer se estiver sozinha, e se me conseguir abstrair duma série de coisas. 

A praia é um lugar onde me sinto muito bem, onde me sinto entretida, quer esteja a ver o mar, as conchas, as lagoas ou as diferentes pessoas que a compõem. Gosto muito de observar as pessoas na praia, e atenção que isto nada tem que ver com maus juízos de valor ou críticas. Gosto porque gosto, de observar as pessoas, qual exercício sociológico do melhor que há para entender de como somos feitos e o que motiva todos os humanos. 
Hoje enquanto os miúdos andavam na água, consegui observar discretamente os chapéus que me rodeavam.. O casal ao meu lado cujo senhor teria certamente mais de 55 anos e com a esposa mais nova tinham uma menina com pouco mais de um ano.. Pensava eu com que alegria não teria aquele homem recebido aquela criança, todo orgulhoso dizia alto e bom som, “Anda ao papá, brinca com o papá” . 

Noutro chapéu uma família de emigrantes, ela portuguesa, ele alemão, filhos todos a falar somente alemão.. E pensava eu porque raio não falava aquela mãe com os seus filhos na sua língua materna.. 

A senhora que estava ao meu lado, com quem troquei sorrisos cúmplices e que me dizia que o marido “andava além ao longe à cata de berbigão”.. 

Outro casal, noutro chapéu cuja senhora tinha uma marca de nascença na cara com a qual não lidava bem [e isso era bem perceptível]..fez-me recordar quão mal me passei a sentir depois de marcada na cara pelo acidente.  

E o cheiro do tabaco, que de quando em vez, se assoma na praia e me traz grande desconforto.. depois penso que vivemos em sociedade e que se quero estar sem ninguém o que não me faltam são kms de areal.. 

Não li nada do livro. Tentei, mas preferi as pessoas. Acho, honestamente, a natureza algo mágico, a tecnologia um must, mas nada, mesmo nada, substitui as pessoas.. 

Boa Noite, Meus Especiais. 

**

Advertisements

30 graus. 8 da noite. 

Um calor abrasador. 

Lá fui com todos os cuidados, de unha ligada, e pé elevado, tentar um final de tarde com praia incluída. 

Há muito tempo que não apanhava um dia tão bom, sem ponta de vento, calorzinho.. Muito bom…  eu a meio gás com esta unha, mas fui tentar. 

**

Dos dias. 

Tenho muita dificuldade de me desfazer destes cabelos, de ter que os cortar, de perder este ar rebelde que adoro. 

Tenho também pavor a que me mexam nos pés, a que me cortem unhas e, pior, que me tenham que tratar uma unha que está praticamente caída mas teima em estar presa que nem uma lapa. Detesto que me mexam nos pés. Apenas pés. Sou uma melosa. Adoro toque, Adoro festinhas, Adoro abraços, Adoro ternura. 

Quero ver o que daqui vai sair.. [Tenho medo, já disse que não gosto nada que me toquem nos pés,?!] 

Boa Tarde para esse lado. 

**

D’outro dia. 

Não lhe chamo bom dia. Porque não é. Pelo menos para mim não é. Nunca um dia pode ser bom quando temos uma unha do pé a cair, completamente solta e presa (completamente presa) do lado oposto. 

Levantei-me cedo de uma noite de insónias e preocupações com isto e rumei ao centro de saúde onde bati com o nariz na porta por ser feriado… 

Foi há mais de 3 meses que ela ficou negra, resultado de um traumatismo. Nunca pensei que caísse. Logo agora. 

Seja o que tiver que ser. 

**