Da ida. 

Desta vez fui eu.. Calhou-me a mim, mais um regresso. Confesso que enquanto escrevo isto (ainda não atingi a velocidade cruzeiro) me sinto ansiosa. A última viagem ficou marcada em mim, e sabia de antemão que não seria a mesma pessoa quando voltasse a entrar num avião. Caramba, quando se passa pela experiência de voo que passei, nunca mais se olha para isto da mesma forma. Pensei que morria, alcancei a minha santinha e a ela rezei e me despedi [em silencio] de todos quanto gostaria, fechei os olhos e esperei. 

Levei dias a recuperar, tive pesadelos, agravei dores existentes e despoletei novas, tremendas, aterradoras, cujo diagnóstico concreto aguardo. 

Hoje era uma nova ansiedade a que trazia. Estou na companhia aérea que mais me tranquiliza, a que fala a única língua que me acalma, a que tem [para mim] os melhores e [mais experientes] pilotos, aquela que sabe como [diariamente] aterrar aonde o avião me leva. 

Tenho medo de morrer de repente. Sem medo de me despedir, de dizer [o quanto] me fazem falta os que estão longe de mim, de deixar o livro inacabado.. 

Há mais de um ano que todas as viagens de avião que faço são rentabilizadas ao máximo. Não trago computadores, tablets, não vejo filmes. Aproveito para ler e há mais de um ano aproveito para trabalhar no desafio fotográfico diário gerido por mim há mais de um ano e sete meses. 

Este voo é diferente. Calhou-me a mim mais um regresso. Mas desta vez é diferente. 
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