Grey. 

Nunca me consegui habituar a este cinzento. Nunca. 

Há verde [como não vi em outro lado] , há cores no Outono [como não vi em outro lado], há uma altura de neve e de gelo negro [como nunca tinha visto em nenhum outro lado], há nuvens mágicas e dos céus mais cor de rosa que tenho memória. Mas 60% do tempo é cinzento.E isso deprime-me [e muito] e a isso nunca me habituei. 

Foram duros os tempos e há sensações que só sinto aqui [um imediato quebrar do humor, um choro fácil, uma tristeza sem fim, um modo down característico].

Dias como o de hoje sao a olhar para o relógio a ver quando chega a noite, para dormir.  Foram tantos dias assim. Tantos mas tantos. Uma vida não pode ser bem vivida assim. Não mesmo. 

São países duros. Abençoados sejamos nós portugueses pelo que temos. Sem saber. 
Boa Tarde. 

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Da Catarina. 

Leio a Catarina há algum tempo. Diariamente. Não tanto tempo quanto aquele que escreve porque a descobri tarde. 

A Catarina escreve maravilhosamente bem e é uma pessoa normal [como nós]. Escreve sobre sentimentos como eu e por isso me revejo nela. Teve sempre esperança num amanhã, que no caso dela, levou anos a chegar. 

Comprei este livro na esperança de ler os primórdios daquilo que agora leio. Muita gente não gostará disto, pode achar lamechas ou sem interesse, mas há qualquer coisa que gosto muito na Catarina. 

Ela é das que não desistem. Das que olha sempre para o lado colorido da vida. Somos diferentes. Ela adora comer e eu nem por isso. Ela é mais destemida que eu. Mais aventureira que eu. E faz crossfit que é uma coisa que nunca me passou ainda pela cabeça fazer. 

Esteve grávida mais vezes e eu apenas uma. Mas há algo que nos une. Nem sei explicar o quê, porque estas coisas não se explicam. 

Gosto da Catarina porque ela fala sem pudor, de sentimentos. De uma forma nua e crua. Nunca pensei ou quis que a minha vida fosse como a de uma princesa mas gosto muito de ler esta princesa das letras. 

Vai ser agora Mãe [ela é Mãe com 2 M’s grandes] e achou o Amor da vida dela. 

Isto talvez baste para a continuar a ler. 

Obrigada, Catarina. 

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Ora nem mais. 

Outra verdade, bem verdadinha.. 

Costumo dizer que a Vida não falha, que mais tarde ou mais cedo te dá tudo aquilo que te tirou ou transforma em recta todas as curvas que te ofereceu. 

É preciso ter fé, não desistir, não ir abaixo, não cometer decisões de cabeça quente, e manter sempre esperança num amanhã melhor. No fundo foi o que fiz [durante muito tempo é verdade].. Não sei se sequei as lágrimas. Provavelmente não, porque os meus olhos as produzem quase que ao ritmo das minhas batidas de coração. Mas sei que não choro por dá cá aquela palha, habituei-me a travar as emoções, a gerir distâncias e saudades. E, acreditem, tirei o doutoramento nesta porra de gerir a saudade. Com uma nota do caraças. 

Bom Domingo para esse lado. 

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