Done. 

E esta primeira parte já está. 

Foram alguns dias a colocar tudo em caixotes. A tratar de tudo para que nada ficasse esquecido. Foram muitas horas, com alguns momentos de pausa pelo meio, porque as costas assim o obrigavam. 

Ver chegar um camião que tem inscrita a nossa língua, que é conduzido por alguém que fala a mesma língua que nós, tem certamente um outro sabor. 

Esta parte já está. Agora é descansar que é necessário. 

Boa Noite para esse lado. 

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Das vitórias. 

Tenho algum privilégio por conhecer muitos médicos que [com alguns anos de trabalho] se tornaram amigos pessoais, pessoas preocupadas com o meu estado de saúde e equilíbrio emocional. Alguns deles falavam-me constantemente da minha perseverança, do empenho que coloco naquilo que faço, na forma motivada com que trabalho naquilo que me dá tão pouco retorno financeiro, e em quem como daria uma excelente profissional na área da medicina [não me parece numa primeira abordagem].  

Ao contrário dos médicos que se tornaram amigos, tenho alguns amigos que se tornaram médicos, e cuja amizade dura há muitos anos, ainda antes de o pensarem vir a ser. 

Uma dessas amigas, neurologista de profissão, há precisamente 3 anos, achou que nesta aventura a que me estava a propor, achava, conhecendo-me, que os tempos me seriam difíceis. “Obrigou-me” a comprar uma qualquer medicação desta área “anti-depressiva” a que me pudesse agarrar em caso de SOS. 

Sou teimosa como um burro. Quando meto na cabeça que me aguentarei e que nada tomarei, vos garanto que posso chorar lágrimas de pedra, mas nada tomarei.

Durante estes 3 anos, tive momentos em que abri a caixa, em que a vontade quase se sobrepos à perseverança.. Quase.. Mas não aconteceu. 

Aqui estão os 60 comprimidos, numa caixa cheia que perdeu a validade a Setembro 2015.

Isto pode nada vos dizer, pode não interessar a ninguém, mas é a minha grande vitória pessoal, o facto de me ter aguentado, sem nunca ter desistido. Sem qualquer ajuda com medicação, apenas com o meu esforço pessoal. 

Tenho que reconhecer que as componentes químicas destes comprimidos achei-as na minha máquina fotográfica [Falarei disso num outro post]; Ela foi a minha salvadora, disso não tenho a menor dúvida. Ela e quem de longe me ajudou tanto e tanto, tantas vezes sem saber.

A Superação é para quem acredita. [Obrigada]  

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Numa ilha. 

Estou rodeada de caixas por todos os lados. 3 anos empacotados. Como se de uma ilha se tratasse, ainda que tenho forma de conseguir mover-me neste amontoado, estou quase na recta final. Levantada desde as 7 da manhã para dar começo à jornada de hoje [que vai ser longa]. 

Pensei que sendo uma jornada tão esforçada, merecia aquilo que de melhor a vida tem para comer. 

Comer figos da Índia da Turquia e Marrocos não é igual a apanhá-los da piteira e comer ali mesmo ao lado ou horas depois.. O transporte, a maturação, alteram [e muito] o sabor dos figos. Tenho, [tinha] aqui todas as cores, mas os brancos são os meus favoritos, embora que todos estes estivessem muito aquém da maravilha que isto é.. 

Detesto figos da Índia que não estejam no ponto. Não gosto deles maduros, sem estarem no exacto ponto que gosto. 

Pela fotografia até podem parecer xpto. Mas não são. Comi tudo porque não os ía mandar fora, mas sabem quando ficamos com aquele desapontamento característico quando percebemos que nunca mais vamos ter os figos da Índia que a nossa avó nos dava, descascados, frescos, com um sabor soberbo?!?! 

😑

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