De quando. 

De quando achamos que vamos “dar o pifarol” [sempre ouvi isto desde pequena, pode existir só no Alentejo]. 

De quando achamos que não vamos conseguir, mas depois até conseguimos. e isso se refira a tratar de caixotes, de separar roupas para doar, de enfrentar infecções e ser mais forte do que elas, não as deixando instalar-se, tratar de livros e escrever mais de 100 etiquetas para colocar no material, em todos os lápis de todos os tipos, os de cor, os de cera, as canetas indeléveis [vinha assim mesmo na lista], o afia com depósito, a borracha e os lápis 2 hb de grafite macia.. Era tão extensa a lista de material que eu parecia uma doidinha, dos cadernos agrafados pautados à flauta e ao avental.. 

De como os dias deviam ser forrados a 24 horas por dentro e 24 por fora para dar tempo para fazer tudo o que temos em mente.. 

De como não demorou nada entre o ter todo o tempo do mundo e não ter tempo nenhum para este pequenogrande mundo que é o meu.. E em como isso me angustia. 

De como a vida é mesmo um ciclo.. E já diziam “o teu tempo há-de chegar”  e “Deus escreve direito por linhas tortas”…

Boa Noite para esse lado. 

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