Trivialidades de uma família [comum]. 

Hoje. Sabádo.Almoço. 
Na mesa em frente uma família. 3 casais. Os pais e dois filhos com as respectivas mulheres e 3 crianças, 2 de um, uma de outro. 

Conversam animadamente. O patriarca sentado onde os patriarcas se sentam, na cabeceira da mesa.. As crianças estão completamente dominadas pela tecnologia, quando se esquecem dela são os pais que lhes relembram que há alfaces para apanhar na quinta virtual.. [Isto faz-me confusão, juro].. 

Do nada começo a ouvir uma voz a levantar.. Uma das noras “engalfinha-se” com a sogra.. O comum “Em minha casa eles portam-se sempre bem”.. O mote, o chavão, o tão repetidamente ouvido..” Na minha casa come-se sempre tudo, não há fitas”.. A discussão aumenta, a nora ameaça levantar – se e pôr-se a andar. . O marido diz-lhe que está a ser injusta e a sogra bufa. . Eu meto o nariz no rótulo da água, a cena envergonha-me mas ao mesmo tempo aprecio a atitude daquela nora que não tem papas na língua e não se inibe de escandaleira no restaurante.. Que isto do politicamente correcto ás vezes cansa.. E ao fim de muito tempo a engolir, a tiróide já não aguenta mais.. 

Há sempre mas no meio das histórias, o patriarca nunca largou o “Expresso”  e parecia muito mais preocupado na encomenda da doçaria que iria levar para casa para assim poder manter os seus belos 120 kgs.. A outra nora morta de vergonha, mesmo lado da barricada mas a querer disfarçar, os miúdos apanharam as cenouras do quintal cultivado a terra de gigabytes e eu [entre tosse e mais tosse] continuei com os olhos no rótulo da água.. 

**