Da minha Vida tão simples. 

Quando chega esta altura do ano percebo que podia comer só castanhas, que haveria de morrer empanturrada mas com o palato a bater palminhas. 

Nao consigo quantificar o quanto gosto de castanhas e figos da Índia. Cada um à sua maneira, os meus dois sabores favoritos. Quando me pedem para escolher só um, escolho os figos. 

Porque os figos, para além do sabor que acho divino se estiverem no ponto, tem para mim uma grande carga genética e emocional. A minha avó distribua os figos de igual forma pelos porcos e pelos filhos. Eram alimentados da mesma forma, na mesma proporção, a única diferença é que a minha mãe e os meus tios comiam mais coisas. Toda a minha família materna tem um grande respeito pelos figos por isso, para além de,  genuinamente, os adorar-mos. Os figos e o seu processo de descasque foram dos únicos momentos de ternura que tive da minha avó na minha infância.. E isso marcou-me. Em cada figo que como, a minha avó e a minha mãe estão ali. Porque a tradição passou para a minha mãe que hoje mos descasca a cada manhã de Verão (quando a Natureza os oferece, que há anos, como este, fracos). 
Eu não sei se alguma vez tinha feito esta confidência mas aqui é o local certo para me dar. Caramba que isto emociona-me e são pérolas que não quero dar a quaisquer uns. 

Boa Noite para esse lado

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P.S. As castanhas são de Hoje, os figos são do Verão.