Da magia do recordar. 

Tenho um número infindável de momentos passados à volta da árvore de Natal.. Nem sempre tive uma árvore tão recheada de enfeites, nem sempre tão colorida.. Mas sempre tive árvore. Todos de todos os anos. 
[Não sou capaz  de chegar a casa dos meus pais e não haver árvore.. Então faço-a enquanto fecho os olhos e recordo os tempos..] 

Quando era pequena, tal como agora, o meu quarto tinha uma pequena sala incorporada.. Era aí,  que anualmente era feita a árvore de natal..Imaginem para uma criança ter a árvore de natal no quarto, a emoção que isto trazia, a excitação que isto provocava.. O ritual começava cedo, lá para meados de Novembro, mais tardar finais de Novembro..que quando eu ía à feira anual lá trazia mais uns enfeites e umas figuras para o presépio.. 

Convencia o meu pai [sempre tive que o convencer] e lá íamos para a floresta apanhar o pinheiro. Eu queria o mais direitinho, mais verdinho, com menos resina.. O meu pai, homem de compleição pequena, e o seu machado..lá me fazia a vontade, lembrando-me sempre ser proibido o que andávamos a fazer. Figura marcante do meu Natal.. Depois da árvore vinha o musgo, que eu fazia um presépio enorme.. 

Não tinha muitas decorações [quase nenhumas] mas era com uma magia do tamanho do mundo que decorava tudo. Tinha chocolates para enfeitar [que o meu irmão comia, deixando os pais natal com o formato perfeito, mas ocos], tinha umas poucas bolas, sinos, umas pinhas coloridas [lembro-me como se fosse hoje] e muito mais tarde umas luzes.. Quando chegaram as luzes [não sei precisar o ano, mas já teria mais de 8 anos] chegou o mundo encantado. Eu tinha autorização para ter as luzes acesas poucas horas do dia, só depois das 5, quando fizesse escuro, e até ir dormir. Na véspera e no dia de Natal e de ano novo poderiam estar mais tempo.. No presépio eu fazia tudo ao pormenor.. Tinha patos e por isso tinha que ter um lago que improvisava com papel de alumínio. Tinha um menino Jesus sem pés que tinha passado de geração em geração, e que este ano vou fazer questão de trazer.. 

Eram tempos muito pobres e ao fim de contas tão ricos de tudo o que é importante.. Não havia glamour mas simplicidade, não havia fartura mas o essencial.. 

Não tenho uma fotografia que seja de uma árvore de Natal minha. Nem uma. Tive a minha primeira máquina aos 21 anos, no dia da minha bênção das pastas, e só a partir daí consegui eternizar o que me dizia tanto.. 

Outros tempos, carregados de nadas cheios de tudo.. 

[Por tudo isto ainda é um sorriso o que esboço quando acabo a árvore. É o sorriso da memória].
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