.. 

Trying to keep strong. 

**

Advertisements

Ainda ontem. 

Nasci numa aldeia pequena.. Embora não distante dos grandes centros, é uma aldeia pequena.. Poucas casas, espaçadas entre elas, poucas pessoas, mas unidas sem saberem… 
Sempre lá vivi, sempre lá cresci. Até aos 18 anos habitei naquele monte [que de monte tem pouco, mas quem o baptizou assim lhe deu o nome] e foi nessa idade que saí para nunca mais voltar [terei alguma vez saído realmente?!].. 

Os meus vizinhos foram sempre os mesmos. Desde que nasci. Os meus vizinhos são as pessoas que ainda hoje me chamam pelo diminutivo, de igual forma e jeito como que me chamavam no tempo em que usava a minha saia favorita, a verde dos sapos.. 

Os meus vizinhos estão a morrer.. Ontem, houve uma excursão a Reguengos de Monsaraz. As costas da minha mãe já não a deixaram ir e a curiosidade do meu pai é menor que o seu amor, pelo que ficou também. A vizinha da casa a seguir, foi.. O vizinho Miguel concerteza a ama[va] na mesma proporção, mas tinham entre eles o acordo de não privarem os olhos da vizinha de ver sonhos distantes, de ver o Alqueva, as muralhas e as casas fantásticas que dizem Monsaraz ter.. Ontem ao final do dia, já noitinha, montado na sua bicicleta como diariamente, o vizinho Miguel foi ao correio situado junto ao café. Cumprimentou a minha mãe [de forma estranha segundo ela] e viria a cair, inerte e morto uns metros mais à frente.. Ninguém lhe pode acudir, tal a frieza fulminante do que o atacou.. 

A minha mãe sabe que eu estou deste lado [como eu sei que ela está do de lá] e ligou-me.. A minha mãe quis contar-me.. “Filha eu quero te dizer antes que o Facebook te conte”.. A minha mãe tem 76 anos, não percebe nada de computadores, nem sequer de Internet mas sabe que o Facebook conta coisas. Boas e más. 

A vizinha estava a ver o Alqueva quando o marido foi ver o correio e caiu morto. A vizinha não sabe se o marido estava indisposto, se terá sentido algo. Sabe apenas que quando saiu para realizar o sonho de ver o Alqueva, não sabia que a tarde lhe levaria o sonho do amor de uma vida.. Assim. De repente. Sem nada que o fizesse prever. 

Os meus vizinhos estão a morrer.. Uma casa de intervalo era o que distava a nossa vizinhança.. Os meus vizinhos estão a morrer, e há um nó na minha garganta, que não sai. 

Eu juro, mas juro mesmo que este é de facto o meu maior pesadelo. Que assumo aqui. Que a vida me leve sem que nada possa dizer. 

**

Da saúde. 

Sei que é o mais importante desta Vida.. Que só com ela poderemos estar bem. 

Lá fui eu. Quase um ano depois. O nervosismo de quem entra com dúvidas, e tem ainda mais medo das respostas. Do que lhe vão dizer, do que as análises vai dizer, do que os testes vão confirmar. 

As doenças auto imunes são tramadas. Silenciosas, tantas vezes parentes pobres de difícil diagnóstico. Dores que só sente quem tem, que não se vêem, que não se deixam ver. Tenho medo do que possa aí vir, embora não me tenha sido diagnosticado nada para já. Mas não foi posto de parte. Porque isto também ataca quem é activo e quem tem garra, quem por exagerar depois tem momentos de quebra.. 
Eu dou um ar super saudável sempre, porque o meu maior pânico é ter que tomar medicação, permanente, para sempre. E por isso tento levar a melhor, mas aos testes, e ao toque, o corpo dobra-se, contrai-se, porque sente dor e aí não se pode disfarçar. Em 5,6 pontos de dor acusei. Eu não quis acreditar, e eles tb não. Eram 3 médicos. Sei agora que fui tipo um case study. Tenho 40 anos, mulher e era a primeira vez na consulta. É importante perceber porquê, como e quando isto aparece. Que disfunção acontece, e que sintomas se manifestam. 

Eu não quis acreditar que tenho algo. Parece que eles tb não. 

**