Abraçar. 

Vir. 

Porque há alturas em que tem que ser. Porque há alturas em que preciso disso. E porque há alturas em que é urgente vir. 

Uma igreja repleta de vizinhos. Os que ainda restam. Alguns que não via desde a altura da saia dos sapos.. Do nada oiço o meu nome, o diminutivo do meu nome.. Gente admirada por ver e eu a amparar a minha mãe, eu, os meus braços e a sua muleta.. O momento da chegada ao altar, os sentimentos, e as lágrimas.. Fiquei de joelhos amparada pela filha mais velha [que nem me reconheceu por eu estar de óculos].. Sei que tb o dia dos meus há-de chegar. Não estou preparada para isso. Não estou mesmo.. 

A minha mãe já não teve força para enfrentar o cortejo até ao cemitério.. Ficou sentada no muro da igreja onde a vi sentar-se toda uma vida, quando com a sua energia me gritava para não me afastar. Esta foi a igreja onde casaram todos os meus primos, onde se baptizaram todos os que vieram depois de mim, e onde fiz os funerais de todas as pessoas que me foram chegadas. Continuo a não suportar o som do sino.. Desta vez no regresso do cemitério, já exausta do choro, com a cabeça a latejar [como ainda está e cada vez mais] e dos cumprimentos e dos “já vieste de vez, não foi”..dei assim com a minha mãe. No mesmo sitio onde tinha recomendado que ficasse, até que o meu carro a fosse buscar. Lá estava ela.. Já não havia a agitação do funeral, apenas me esperava o meu pilar. 

Que assim seja. Sempre. 

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