Não há coincidências. 

A M, a minha gata [que nunca foi minha] esteve uns meses sem me ligar peva.. Primeiro foi o cio no mês de Janeiro  e todos os gatos envolvidos que a fizeram tornar-se numa verdadeira desconhecida.. Não respondia à minha voz, não me olhava, não aceitava uma festa, não levantava a cabeça. Nada. Total ignorância. 
Passaram estes meses. Ficou grávida. Ficou apática, sempre no seu canto, com desprezo total. Soube, há uns 3, 4 dias que tinha tido os gatinhos na varanda do rés do chão que sempre lhe deu guarida abrigada. Mal soube que tinha sido mãe, corri a tentar que me deixasse, à minha maneira, felicitá-la..O instinto de protecção não permitiu. Não me fez mais do que uns sons assanhados como que a mandar-me embora.. Respeitei. 

Hoje veio a casa pedir-me comida. O mesmo olhar cândido que me conquistou e me fez de imediato derreter-me novamente. Apeteceu-me perguntar-lhe porque me tinha ignorado durante todo este tempo, mas os gatos ainda não tem o entendimento necessário para comunicar com humanos. Agarrei-a, abracei-a, e sei que ela percebeu que estava tudo bem. Apesar de tudo. Não comeu muito. Depois de comer, passou as patas pelo chão, num gesto que nunca lhe vi. Percebi de imediato que queria juntar-se aos filhotes. Delicadamente, peguei-lhe ao colo como antes, encostei a minha cabeça à dela e levei-a lá abaixo. Estava nervosa, que eu senti. 

Não sei porque veio hoje. Não sei mesmo. Sei que não há coincidências. E um dia [ainda] a vou entender. 

Boa Noite. 

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Dos provérbios. 


Gosto muito de provérbios.

Para muitas coisas há sempre um provébio adequado.. Pelo menos ocorre-me quase sempre um, para cada situação, para cada momento..

Há um provérbio de que gosto particularmente que diz:

” Quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro”..

E que basicamente quer dizer que dentro de cada um de nós, só nós sabemos o que vai dentro. Só nós sabemos o que nos vai na alma, e no coração. Só nós sabemos o que sentimos. Por mais que se deite para fora, nunca, mesmo nunca, será possível entrarem dentro do nosso coração, nunca será possível lerem o que diz as entrelinhas do nosso íntimo.

Há uma linha que separa a pessoa que sou, da pessoa que sou sentindo. Jamais saberei eu, saberão os outros, o que vai dentro de cada um.

E é isto.

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