Muito isto. 

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O que é a beleza? 

Quando tenho algum tempo, do que gosto mais de fazer [para além de ler] é ver fotos. Ver fotos, apenas por ver.. Sou capaz de ficar horas, muitas horas, a ver fotografias..  

Quando me deparo nas fotografias que tirei em todo o tempo que estive longe, constato de facto que vi coisas que jamais verei..Vi céus de cores que jamais verei, vi verdes e contrastes de verdes que jamais verei.. Vi paisagens que jamais verei.. Porque nunca mais serei a mesma pessoa, mesmo se voltar àqueles lugares.. Fiz amizades sinceras, sei que tenho hipóteses de voltar, porque muito frequentemente sinto que faço falta a algumas amigas que lá deixei.. Mais do que lá ir fotografar, importa lá ir para que a amiga A, B ou C saiba como me falta o abraço, a disponibilidade para me ouvir, os sorrisos sinceros.. 

Há muito tempo [demasiado] que vivo como uma panela de pressão.. Em momentos destes, é natural que nos agarremos a algo, seja a fotografia, a corrida, ler, arrumar, cozinhar, o que seja.. 

Sinto que hoje já não sei fotografar. Não que alguma vez tenha sabido, mas havia toda uma conjectura que me levava a conseguir realizar na fotografia o pleno que me preenchia.. Já não tenho paisagens deslumbrantes, mas continuo a ter o deslumbramento da natureza,  o tal que só vi a partir de dado momento..e que parece que deixei de ver. Não queria perder essa capacidade, mas às vezes acho que já não sei como se faz.. Se calhar é preciso atravessar países, estar-se isolado ou simplesmente parar de pensar.. 

Quando olho para o que fotografo, nada me atrai agora.. Estou a deixar de ver as cores, as formas, e as pinturas mágicas que a natureza me oferecia.. Ou então é apenas impressão.. Porque embora tendo sido lá que esta paixão despoletou, sei que há igualmente locais maravilhosos aqui. Sei que a mãe natureza nos mostra, diariamente, todo o seu esplendor.. 

Há, no entanto, uma diferença brutal. Não tenho estado no computador grande, estou num portátil fraco, sem programas, com uma placa gráfica fraca.. E isso faz toda a diferença.. 

Será isso, será a idade, será a vida, serão as circunstâncias, será a falta de tempo, será a minha cabeça?!?! Não sei. Apenas sinto que a beleza do que capto é menos bela.. Como se tivesse perdido os pozinhos de perlimpimpim.. A beleza é muito relativa eu sei. Os cânones da beleza são meros bluffs.. Há muito para além da beleza, dos padrões de elegância, do que é estar bem ou menos bem.. Tudo é tão, mas tão, relativo..  

Não vou desistir. Mesmo. 

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Mirror. 

Tenho pouco. Efectivamente tenho muito pouco. Mas quando penso que vivi uma vida, que já tive [e tenho] tantos momentos em que me senti [e sinto] tão profundamente em baixo, penso que há [tem que haver] uma força superior que me levanta.. 
Nos momentos em que estou mal, nos momentos em precisei mesmo de arranjar a força que não tinha, arranjei um aliado que sempre me ajudou:

O espelho.

É no espelho, que, ainda que com visão turva e cara esborratada, oiço as ordens que me dizem para nunca desistir. E é muitas vezes assim que sigo em frente, depois de caminhos mais duros, mais instáveis, e superando [tentando] assim as inúmeras tantas, vezes em que precisei de ajuda.. 

A solução está sempre em nunca desistir. 

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It’s winter. 

Inverno em mim. De novo. Chuva, trovoada, relâmpagos, tudo cinzento e como que parado. Se não há luz, os estores não vão para cima, nem para baixo, não se conseguem fazer uma série de coisas. E portanto o silêncio, os pensamentos e um livro, são a solução. 
Porque há alturas em que temos que ser fortes. Muito fortes. 

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Da chuva. 

Chove tanto, troveja tanto,  que os ecos e as chamas de relâmpago acabaram de entrar, desligando o quadro da luz.. 

Eu tenho medo disto. Juro que sim. 

Bom dia. 

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