Boa Noite. 

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Tears on me.

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Ver as imagens do santuário, dos peregrinos emocionados a chegar, da fé espelhada no rosto de tantos, da ovações, do Papa a chegar, a cumprimentar os fiéis, a abençoar os velhos e as crianças principalmente, é algo que me toca..

Eu sou uma panela de pressão, eu tenho por baixo das bochechas, abaixo dos olhos, litros e litros de lágrimas acumuladas e prontas a sair, basta apenas um toque.. e a velocidade a que estão a cair, é gigante, é enorme. Acredito que os não crentes entenderão tudo de outra maneira, mas sabendo do impacto que isto tem para mim, acho que é claro o estado em que estou. Eu não conheço o Papa, possivelmente nem nunca irei estar perto dele, mas acho-o mais do que o representante dessa colossal força que é a Igreja, um coração puro e gigante. E isso vale tudo. Isso e aquela “mão na mão”…

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Fátima. 

A minha ligação a Fátima vem desde sempre.. Quando tinha 6 anos os meus pais foram a Fátima [eu não fui, fiquei em casa de tios] e de lá me trouxeram um pequeno presente.. Era uma estrela com umas bolinhas azuis em cada ponta, e com um pequeno altar com uma pequena Nossa Senhora.. A partir daí comecei a rezar [o que sabia].. Eu nunca andei na catequese, nunca fui à missa e portanto o meu rezar foi sempre muito mais falar, muito mais agradecer, porque sei muito pouco de orações..
[Viria a ser com 18 anos, já na Universidade, que passaria a frequentar aos domingos a missa da Igreja situada no centro da cidade.. Foi onde decorei todas as músicas religiosas que ouvi, foi onde passei a saber as orações, foi onde percebi o que era o cumprimento da paz de Cristo].. 

Desde os 6 anos que no meu quarto, no centro da mobília, entre o telefone de plástico, o fogão miniatura, a hello kitty que balançava no cesto de basket, se encontrava a estrela com “a santinha”. Com quem passei a falar, diariamente. De tanto lhe agarrar, um dia “a santinha” caiu.. Desgostosa, entre lágrimas pedi ao meu pai que a colasse mas era impossível. Passado o desgosto, passei a agarrar fervorosamente na santinha para adormecer.. De noite em noite percebi que não conseguia adormecer sem ela. . Na altura tinha 6 anos. . Não me importava muito se o meu irmão gozava comigo por este aspecto. . Apenas sabia que “a santinha” era imprescindível para mim.. Passou a escola primária, passou o secundário, passou a viagem de finalistas [sim ela foi comigo a Benidorm], chegou a entrada na Universidade, e o partilhar pela primeira vez casa com outras pessoas.. 

Durante todos estes anos, nunca me separei dela. Viajou comigo em todas as viagens que fiz, em todos os países onde pernoitei, foi comigo para o hospital no meu acidente [tinha-a no bolso], foi comigo para a maternidade, para todas as aulas que tive, para todas as saídas que tive desde que me conheço, dormiu comigo praticamente todas as noites da minha vida [adormeço sempre com ela debaixo da almofada e não adormeço se não a tiver], esteve comigo em todos os momentos, sabe de tudo.. Já não tem olhos, nem mãos, e o manto já tem pouca cor.. Não há nenhum objecto na minha vida que tenha a importância que este tem. Nenhum. Não pretendo nunca separar-me dela. 

Uma vez sem saber como, caiu-me da mala. Mal dei pela sua falta, percorri o caminho de retorno e dei com ela no canto de umas escadas. Chorei como nunca quando a reencontrei. 

Já falei aqui do simbolismo, da importância, da minha ligação à minha santinha. É coisa que só me imagino a escrever aqui. Porque há coisas muito nossas, e “a minha santinha” é uma delas. 

Hoje é o dia dela. Imaginar o quanto gostaria de estar no Santuário [onde nunca fui realmente] é indescritível. Sei que vou chorar muito e também sei que será muito brevemente. 

P.S. Foi também aos 6 anos que fiz a cicatriz pequena que se vê no dedo anelar. Foi num triciclo. Nunca mais me esqueci. 

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Novo dia. 

Tirada mal acordei. Sem filtro. Um céu espectacular, um sol radioso, chuva ao mesmo tempo. E dores nas costas e barriga. 

Hoje é sexta, só tenho trabalho de computador.Em casa. E todas as atenções se viram para Nossa Senhora de Fátima, de que falarei mais à frente. 

Bom dia para esse lado. 

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