Thoughts. 

Hoje conduzi como antigamente fazia. Mais tempo, mais seguido, mais intensivo, mais dado a pensamentos.. Costumo ter atenção aos carros que me ultrapassam, salvo excepções quando são muitos e vão muito seguidos, ou quando vou distraída [o que não costuma acontecer].. 

Hoje, enquanto conduzia e pensava, tinha já em mente [há alguns dias que o planeava] ir a um local muito importante para mim. Achei que hoje estaria sereno, sem confusões, que me permitiria chorar no meu silêncio, sem que ninguém desse conta. Estava redondamente enganada. 

Não havia a tranquilidade que eu esperava, muito menos a quietude e o sossego.. Havia uma azáfama de estrangeiros, de visitantes fora do dia mas ainda a tempo, e muito pouco tempo da minha parte para fazer o que tinha idealizado. Eu não sou de fazer as coisas pela metade. Ou vou ou não vou. Ou entro ou não entro. Ou choro muito ou não choro. Algo me disse para não ir sem tempo. Algo me disse para voltar. Que às vezes, é preciso voltar, na certeza que será sempre melhor. 

Andei em labirinto por aquela sequência de sentidos obrigatórios e senti-me no Algarve da religião. Nunca tinha visto tantos hotéis por metro quadrado, nem tantas réplicas da minha santinha em todos os tamanhos e feitios nas pequenas lojas de artesanato. E fiquei a pensar se não estará desvirtuado um bocadinho o verdadeiro espírito do santuário. Não trouxe um íman, nem sequer atravessei a estrada. Parei o carro, mal parado, rodei o telemóvel em 3 direcções e tirei estas fotos. Nos momentos em que, sozinha, serpenteei por entre a cidade, pensei em como gostaria que alguns aqui estivessem comigo. 
Estive ali tão perto. E ainda não foi desta. Mas sei que será brevemente. Sei mesmo.

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