Do coelho roxo e outros cacos.. 

Eu não tenho problemas nenhuns em admitir que das 40 e tal caixas que chegaram, até hoje ainda me sobravam duas e hoje ficou a sobrar uma.. Não gosto de fazer as coisas só porque sim.. Para arrumar tenho que deixar tudo organizado e não faço, se não é para fazer bem feito.. Tinha uma caixa com coisas só minhas, objectos de decoração nórdicos, quadros com frases, velas, castiçais, detalhes que comprei porque queria trazer. . Essa caixa arrumei hoje. Era uma das caixas com aviso de muito sensível, tinha objectos frágeis lá dentro. Algumas coisas não resistiram. Desses objectos sei, que quem aqui me acompanha, se recorda de os ter visto, em inúmeras fotos que aqui coloquei. . 

O coelho roxo forrado a veludo, era um desses casos.. Era uma coisa simples, que me foi barata, mas de que gostava imenso. Das inúmeras reflexões na minha chaise longue [das coisas que mais falta me faz aquele canto], o coelho sempre esteve por ali.. 

Assim como os porta velas pequenos que ganhei numas rifas, e que tinha junto a uma janela, e que fotografei vezes sem conta.. Remexer nestes objectos é também reviver esses momentos, alguns deles menos bons, feitos de silêncio, de lágrimas e de muitos engolires secos..  

Hoje foi tempo de os rever.. 

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Just do it. 

Não consegui fazer muito exercício hoje, ontem de manhã tinha feito 15 kms e sinto as pernas cansadas.. Mas fiz alguma coisa e umas dezenas de abdominais.. Não se pode parar, e eu já nem me imagino a deixar de fazer exercício..  

A imagem no canto é apenas um alerta que quero deixar.. A semana passada comprei um ferro de encaracolar cabelo no Lidl, adoro caracóis largos, os que consigo pós trança são diferentes e queria algo que só com um aparelho destes se consegue. Sou céptica no que as estas coisas diz respeito.. Tenho um ferro de alisar espectacular que me custou os olhos da cara onde nunca me queimei.. 

O que aconteceu neste? Liguei, e em dois minutos fiquei assim.. Não fiz nenhum caracol, queimei dois dedos enquanto o diabo esfregou um olho e é óbvio que já fui devolver o aparelho. Se quiserem Não comprar, o ferro é este,  um autêntico perigo que deveria de imediato ser retirado do mercado.. 

[Já rebentaram as bolhas, está agora a levar o seu tempo normal]. 

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Crianças não deveriam [poder] morrer. 


Estou um bocado em estado de choque.
[Sei que ainda é de manhã, que na minha janela nem o sol nasceu, apenas oiço o cacarejar da galinha na vivenda ao longe que me indica ser um novo dia.. Já fiz a lancheira, organizei a mochila com o equipamento para a ginástica, a outra para a natação, a mochila dos livros e a bola e as luvas para jogar nos intervalos.. Já arrancou a semana para este pequeno..]


Ontem, no meio de uma tarde que não me correu muito bem [passei mal com o calor, comi uma salada com queijo fresco que teve as suas repercussões e instalou-se uma enxaqueca brutal], comecei a ler notícias que davam conta do desaparecimento de um pequeno de 10 anos numa praia do litoral alentejano.. O primeiro murro no estômago levamos com a notícia em si, o segundo levamos quando percebemos que a situação aconteceu precisamente no sítio para onde vais à praia com os teus mais especiais e pequenos seres.. De facto, aquele é o canto onde faço praia, aquele é o canto onde me instalo no Verão, eu e mais 500 famílias, para aproveitar a temperatura artificial que vem das turbinas da refinaria ao lado, a quietude, a transparência incrível daquelas águas.. Ontem um pai distraiu-se e num puff o mar levou-lhe o filho.. Um filho é um filho.. Um filho único [que não era o caso] faz-nos sentir a angústia do aperto que alguma vez sentiremos se algo de mal [por pequeno que seja] lhe acontece.. 
Através das redes sociais começaram a chegar publicações [muitas] e percebi que o pequeno era da minha terra.. Fiz contactos, contactei amigos [que nestas alturas sabemos que o nosso núcleo duro daquela pequena terra é muito chegado] e percebi que não conheço a criança.. Para além da infância, da ingenuidade, este menino partilhava a idade e o nome do meu.. Aquele menino poderia ser o meu!! Foi um soco no estômago, foi um murro em seco, que ainda dói. Falei com um dos mergulhadores que a esta hora entra no mar retomando as buscas, alguém que se mostrou destroçado.. Sei que há ali uma corrente. Já a senti por diversas vezes, e consegui sair.. Sei que o mar estava levantado [com vigilância, segundo esse amigo, essa zona estaria interdita], que no Verão isso não acontece.. 

Mas caramba, é a praia para onde vou, é a praia que considero segura e ninguém ontem conseguiu impedir que este menino fosse feliz, agora aqui, onde vivia com o pai e irmãs há 2 meses desde que veio de Angola..Aquele pai  se calhar [certamente], não conhecia aquela corrente, não sabia que com o mar [seja ele qual for] são precisos mil olhos..Distraiu-se, e há distracções que valem sonhos, fantasias e até uma vida como a deste pequenino. 

Isto não devia acontecer com ninguém, mas muito menos com crianças.. As crianças são inocentes. Querem apenas jogar à bola, rodar piões com as mãos, transpirar com jogos feitos sob um calor abrasador.. São crianças, tem uma vida pela frente, e ninguém as pode impedir disso. Muito menos o mar onde foram para se divertir.. 

Bom dia para esse lado. 

[A dor de cabeça não passou, a angústia com este caso, muito menos] 

P.S. As fotos em cima ilustram bem a transparência e quietude destas águas e os pés dos meus pequenos seres, que ano após ano, levo a esta praia, sempre com mil olhos, [e cada vez mais].  

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