Dos dias tristes. 

Ontem durante a tarde recebi um telefonema de um amigo. Sabia da minha proximidade com a esposa, sabia que ela não tinha muitas pessoas próximas e informava-me que a mãe dela morrera no dia anterior precisamente no dia de aniversário da esposa. A Lili tinha a mãe em França que veio para o aniversário dela e morreu nesse dia após o jantar com um ataque de asma. Tinha 64 anos. Isto aconteceu. Foi no dia antes de ontem com uma amiga minha de há mais de 20 anos. 

É claro que fui. Nao precisava o marido de me ter pedido. Teria ido de qualquer forma. Não levei flores porque a minha presença foi muito mais importante que flores, tenho disso a certeza. 

Estou de rastos, chorei muito, pensei muito e tenho estado ultimamente em algumas situações destas [muito mais do que gostaria]. A finitude é algo que me toca muito. O estar hoje e amanhã já não. A rapidez com que passamos de um estado a outro, reduzidos a um corpo inerte. Não vou ser sonsa, e dizer que não pensei o tempo todo na minha Mãe.. A vontade que tenho de correr para lá e só agora tive forças para lhe ligar.. Sinto-me de rastos, dói-me os olhos e a cabeça.. Vivi tudo muito de perto, estava na fila atrás, ali tão perto de tudo, a amparar, a limpar lágrimas, a partilhar soluços no momento em que o meu amigo [fomos todos colegas de faculdade] leu um texto . Estive atenta a como somos em momentos de fragilidade.. Estou de rastos, preciso mesmo de descansar e respirar fundo.. Mesmo, mesmo. 

Amanhã será outro dia.. 

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Da procura.

Não tenho tido tempo para procurar emprego, para procurar outras soluções que consiga acumular com as que tenho e me permitam um aumento da minha condição salarial. Nota-se que há retoma na economia, que aparecem mais anúncios, não que isso signifique que sejam compensatórias as ofertas que se fazem do outro lado..

Ás vezes tenho muitas saudades de ter um emprego normal, com um horário anormal, mas com um salário certo, mensal, sem ter que o pedinchar, com contrato e com condições, poder ter uma baixa médica se tiver um problema de saúde, e receber um subsídio de alimentação, por pouco que seja..E atenção, não me estou a queixar, estou a falar da realidade tal qual ela é.. Alguem que trabalha, que utiliza o seu carro, as suas ferramentas, o seu know how, que é profissional até mais não, que dá muito mais que o litro, que esta disponível sempre, e que no final…muita parra e pouca uva…

Hoje foi dia de procurar, e encontro muitos anúncios de empresas com quem já trabalhei (isso pode ser algo a meu favor ou contra), e que muitas vezes me parece que pagam muito menos do que o que lá recebi..

Há dias em que há uma enorme frustração, que reconheço. Outros que levo os dias no deixa passar, como se o meu esforço, o meu trabalho pudessem ser recompensados mais tarde.. Mas já faço isso há tanto tempo, em tantas situações e que trago eu desses episódios? Que trago eu (para além do meu bem estar pessoal por fazer o bem, por oferecer algo)? Há pessoas que preferem estar em casa, do que sujeitar-se a certas situações. E eu entendo isso.. Mas não é a minha opção. Quero acreditar sempre, que haverá, algures, um dia, um lugar para mim.

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Bom dia!

Dia que começa com uma trovoada medonha, com uma chuva do caraças, com sol, e que leva funeral pelo meio, e preparação de semanas intensas de trabalho que aí vem..

Bom dia para esse lado.

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