Dos dias tristes. 

Ontem durante a tarde recebi um telefonema de um amigo. Sabia da minha proximidade com a esposa, sabia que ela não tinha muitas pessoas próximas e informava-me que a mãe dela morrera no dia anterior precisamente no dia de aniversário da esposa. A Lili tinha a mãe em França que veio para o aniversário dela e morreu nesse dia após o jantar com um ataque de asma. Tinha 64 anos. Isto aconteceu. Foi no dia antes de ontem com uma amiga minha de há mais de 20 anos. 

É claro que fui. Nao precisava o marido de me ter pedido. Teria ido de qualquer forma. Não levei flores porque a minha presença foi muito mais importante que flores, tenho disso a certeza. 

Estou de rastos, chorei muito, pensei muito e tenho estado ultimamente em algumas situações destas [muito mais do que gostaria]. A finitude é algo que me toca muito. O estar hoje e amanhã já não. A rapidez com que passamos de um estado a outro, reduzidos a um corpo inerte. Não vou ser sonsa, e dizer que não pensei o tempo todo na minha Mãe.. A vontade que tenho de correr para lá e só agora tive forças para lhe ligar.. Sinto-me de rastos, dói-me os olhos e a cabeça.. Vivi tudo muito de perto, estava na fila atrás, ali tão perto de tudo, a amparar, a limpar lágrimas, a partilhar soluços no momento em que o meu amigo [fomos todos colegas de faculdade] leu um texto . Estive atenta a como somos em momentos de fragilidade.. Estou de rastos, preciso mesmo de descansar e respirar fundo.. Mesmo, mesmo. 

Amanhã será outro dia.. 

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