Time to rest. 

No mundo dos sonhos cada noite é uma realização. 

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Quando cai a máscara. 

Para começar a contar esta história, tenho que recuar uns bons anos [quase todos] da minha vida.. 

Quando era pequena a minha Mãe trabalhava em limpezas em casas de férias de pessoas ricas [eram basicamente há 30 e tal anos atrás, as pessoas que tinham empregada]. Muito pequena, sempre me lembro de ver a minha Mãe numa azáfama, entre limpezas, lavagens de casas de banho, aspiradores e panos de pó carregados do cheiro do Pronto [ainda hoje o cheiro do Pronto me lembra a minha Mãe]. Muitas vezes, quase todas, a partir dos 3 anos eu ía com a minha Mãe. 

Os meus pais são pessoas humildes, muito humildes. Em casa não tinha uma série de coisas mas isso nunca me impediu, de à minha maneira, ser feliz. Uma das casas onde a minha Mãe trabalhava tinha muitos, muitos livros. Lembro-me de cada detalhe dessa casa de 3 andares. A passagem do rés do chão para o primeiro andar tinha umas escadas esculpidas num tronco muito antigo, que nos primórdios de para lá ir [tinha uns 3 anos], só subia gatinhando de degrau em degrau.. São claros como água todos os bons momentos que lá vivi com a minha Mãe.. Lembro-me de tudo. 

O dono da casa, um abastado de Lisboa que só vinha nas férias e nos fins de semana grandes era na altura, Director de Marketing e Comunicação de uma empresa nacional. Devia ganhar bem. Devia ter dinheiro. 

Enquanto a minha Mãe limpava, durante a década entre os 3 e os 13 anos, foi lá que descobri todos os livros que me marcaram. Ficava no sótão, a brincar com as bonecas que nunca viria a ter, a folhear revistas e livros, e mais tarde a devorar tudo o que conseguia ler uma vez por mês. Era um mundo encantado. Na mesa da sala do rés do chão, havia uma panela de fondue. Nunca soube nem eu, nem a minha Mãe, o que era aquilo. Estranho me parecia, sem qualquer utilidade que conseguisse descortinar. Haveria de ser já em idade adulta que perceberia para que serviam todos aqueles acessórios. 

Há pouco tempo [uns 4,5 anos] reencontrei na rede social, o dono da casa. Pediu-me amizade, que aceitei. Respeitosamente enviei-lhe uma mensagem, agradecendo tudo aquilo que me tinha proporcionado há tantos anos atrás [sem saber, porque tinha lido tudo às escondidas]. 

Disse que gostaria de, acompanhada da minha Mãe, rever a casa. Nunca tal se proporcionou, ainda que com insistência obcecada da parte dele. Vizinhas chegadas vinham ao tempo a dizer-me que a idade tinha trazido ao senhor arrogância, autoritarismo, prepotência. Há mais de 30 e tal anos que não o vejo.. 

Eu tenho hoje quase 41 anos, na altura tinha pouco mais que 3.. Muita coisa mudou. Sou hoje uma adulta, embora a muitos possa não parecer. 

Ontem a pessoa em questão teve a infeliz ideia de me ofender. No meu mural, numa foto de perfil pública, lançou um comentário que de tão infeliz que era, mereceu a minha resposta imediata. Não admito, a ninguém, que me ofenda. A ninguém. Eu sei que para ele não passo da filha da empregada [a minha Mãe já me havia revelado que o achava prepotente e nunca manifestou interesse ou grande vontade de me acompanhar na visita à tal casa, embora o fizesse por mim, por saber o quanto me seria grato reviver esses anos], que não passamos de gente subalterna, gente de servir, ralé portanto. Eu não sou mais a menina que ele conheceu. Nem a minha Mãe é a sua empregada. 

Ontem encerrou-se um ciclo. Nunca mais voltarei a esta casa. Gostaria de lhe ter dito na cara, tudo o que me passou pela mente.. 

Gente desta não vale nada. Nem sequer a minha intenção de um dia os rever. Se eu não fui lá por alguma coisa foi. Tinha que acontecer este episódio para me mostrar o quão enganada estava. 

Da casa já pouco ou nada resta. Da menina resta tudo. Resta a panela do fondue a fazer espécie na memória, resta o cheiro da casa, restam os abraços de felicidade à Mãe por nesses dias poder beber Sucol de garrafa, resta tudo e tanto. 

O poder que teve durante a vida, não lhe permitiu separar as águas e deixar uma marca positiva. Quando [e se alguma vez] o encontrar farei questão de lhe dizer que lhe caiu a máscara. E que isso é o pior que pode acontecer a um Homem. 

Boa Tarde, Especiais

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Done. 

Estou a léguas das minhas médias mas vou fazendo o que posso e quando posso. Está muito calor e hoje até consegui captar o suor.. [é muito raro isto de suar em bica me acontecer, mas também me acontece].. 

Foram 30 minutinhos que souberam pela vida. 

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Bom dia, calor de rachar. 

Diz que vai estar um calor de rachar [que já se sente].. Um misto de emoções que me invade.. Se por um lado nada acontece por acaso, por outro, muito do que nos acontece são avisos do destino.. 

Não sei ainda como vai ser o meu dia, sei que tenho o trabalho para lá de orientado, falta-me muito pouco porque ontem trabalhei a sério.. E vai estar sol, e um calor enorme e eu preciso tanto de apanhar sol.. 

[Quem me dera voar, em modo transparente. Quem me dera].  

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