Há dias. 

Há dias, muitos, em que me apetecia voar. Há dias, tantos, em que me apetecia estar num sítio diferente. Há dias, uma brutalidade deles, que me sinto com feridas abertas.. 

Hoje é a festa da Igreja onde a minha Mãe nasceu. Dos sítios [do Mundo] mais especiais para mim. Onde já está escrito que quero passar as minhas últimas horas. Esta igreja está aberta apenas uma vez por ano. No dia de hoje, no dia da festa do ano [cujo dia varia]. 

Durante muitos anos, não falhei religiosamente esta festa. Sempre com a minha Mãe, de braço dado e uma saia de pregas no corpo e nos pés as sandálias inglesas. Há muitos que não estou presente em corpo, mas a minha alma flutua no local todas as horas do dia. 

Passei há pouco por uma rua. Tinha isto no chão. Tinha o mesmo cheiro da festa no ar. Sei que este cheiro é o cheiro da minha Mãe feliz. Ela já me explicou um dia que era dos dias do ano aquele em que estava mais feliz, quando cortava estas ervas pela altura do S.Joao. Eu passei por esta rua e olhei à volta, à procura dos olhos azuis da minha Mãe e das suas mãos cheias de manchinhas pousadas em mim. Caramba, eu podia lá estar e não estou. Um dia vou-me arrepender tanto disto. 

Tenho um nó. E é tão apertado que nem lhe consigo ligar. 

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Bom dia, domingo. 

Novo dia. Respirar fundo para ganhar forças para a semana de trabalho muito árduo que aí vem. Há 3,4 por ano muito, muito, muito cheias com este projecto. Amanhã começa. 

Bom dia para esse lado. 

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