Be a journalist. 

E de repente somos confrontados com a reestruturação do grupo Impresa e o possível fecho de publicações como a Visão, Caras, Exame Informática.. 

Ora bem isto é uma coisa que mexe comigo.. Há muitos anos, (muitos mesmo),decidi que se um dia quisesse ser alguma coisa, seria jornalista. Era a única coisa que me daria pica no futuro, teria eu uns 4,5 anos. Continua a ser o que me dá pica com 41. A vida seguiu o seu rumo, eu estive à beira de seguir jornalismo radiofónico num Centro de Formação de Jornalistas, nas acabei a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação. 

Pela primeira vez na vida estou a trabalhar na área da comunicação, e portanto a oscilação da estabilidade das publicações mexe com a minha estabilidade [que é instável como sabem].. O mercado da comunicação é dos mais voláteis que existem, um programa que é top hoje, amanhã desaparece, uma publicação que tem uma tiragem de milhões sofre oscilações brutais [veja-se o caso da revista Cristina e o afundanço que teve com a venda da publicação, nunca mais sendo a mesma coisa].. 

Eu gosto da revista Visão, assim como gosto da Sábado. Se acho que começaram a decair, acho. Quando regressei a Portugal tinha-se dado a mudança do papel da Sábado; impressão em opções mais económicas e mais sustentáveis. Não gosto de papel reciclado. Em nada. Não gosto de papel higiénico reciclado, papel absorvente reciclado, papel de impressão reciclado. Isto nada tem a ver com a minha política ambiental, reciclo todo o lixo, plásticos, papel, vidro, orgânico, óleo alimentar, pilhas e derivados, lavo a louça depois de encher o lava louça, e não abuso de detergentes. Mas sou do tempo em que uma revista fazia sonhar [ainda me faz], em que as fotografias me levavam a viajar, em que o cheiro do papel impresso me fazia as delícias de sonhos que assim sonhava. Sou incapaz de comprar uma revista que não me preencha estes requisitos. 

Acho que as opções editoriais da Visão, da Sábado, convergiram num sentido estranho.. Na Sábado já li que os rabanetes faziam bem a isto, que a beterraba era má para aquilo.. Que temos 30 percursos secretos no interior para descobrir, os 7 melhores hotéis com piscina interior, e como ser saudável e activo em 3 passos.. Uma espécie de catálogo. Que alterna com a história da Bárbara Guimarães, ou outra figura pública qualquer. Perdeu-se o rumo, o nicho, não se percebe muito bem o que se faz. Tenho amigos em quase todas as publicações. Sei que o mundo do jornalismo escrito é cruel, e precisa de cara lavada para vingar.. 

A mim faz-me confusão porque continuo a não me imaginar a gostar de outra coisa como gosto deste mundo.. Sei que não me dá nada, que não dá futuro, que a malta da CmTv ganha pouco mais que um part time numa loja de roupa, que os da SIC tiram cafés em cargos que não se percebem para que servem, enfim uma tristeza.. E sei que hoje em dia se calhar já não há malucos como eu que seguiram o sonho.. Há pessoas formatadas a seguir o que o mercado precisa e não aquilo pelo que o coração bate.. Não sei o que será correcto.. Sei que a cada revista que fecha, fecham mil sonhos. Porque ler uma revista [ainda] tem que ser SONHAR.. 

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Boa Noite. 

Que as insónias não me visitem hoje, que um dos meus maiores prazeres ainda é dormir de um todo, sonhando.. 

Boa Noite. 

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Cinzento regresso. 

Das coisas que mais me aborrece são amanheceres de Verão cinzentos. Detesto quando o tempo está encoberto no romper da manhã e só abre por volta do meio dia.. 
Há sempre um misto de tristeza em mim no regresso.. É complicado deixar os meus pais, a família, aquele ambiente tão simples e tão cheio de tudo.. Os amanheceres cheios de sol, borrifados a anoiteceres cheios de melgas.. A fruta fresca, os grelhados na brasa feitos em casa, o pão alentejano molhado no azeite, as corridas até à praia no caminho, seguro, de terra batida.. Não gosto de me vir embora, mesmo sabendo que apanhei dias de praia espectaculares [e isso deveria bastar para me dar por satisfeita] e que o tempo do regresso ao trabalho está para breve.. 

Este ano sem Internet praticamente. Uma experiência completamente diferente. Às vezes pensamos que já não conseguimos viver sem a Internet, mas conseguimos. Estranha-se no início mas depois as ansiedades vão deixando dar lugar à aceitação.. Ainda assim não quebrei as rotinas, mal ou bem, o meu cérebro não se desligou, não hibernou.. 

Um bom dia para esse lado. 

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