For today.. 


Good night. 

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Dos meandros de quem começa tarde. 

Eu percebo pouco de futebol. Já aqui o disse. Mas cresci numa casa ao lado de um campo de futebol [que hoje não existe] e assistia a muitos [todos?] os jogos que lá se jogavam.. Sei que exercícios são feitos para aquecimento e no final também, sei quando começam a suar em bica os jogadores, sei as regras mais ou menos, percebo a técnica [tem dias].. 

Cresci a ver futebol, cresci a apoiar a equipa da minha terra, cresci a gritar bem alto nos jogos fora e nos dentro também, fui apoiante, dobrei equipamentos, sei calçar chuteiras se for preciso e até gosto daquele ambiente, confesso. 

O meu pequeno nunca foi muito atraído por bolas. Nunca foi pressionado e sempre preferi que fizesse o que gostava, ao invés de ser um futebolista de renome, começando bem cedo. Aos 5 anos mudou não só de cidade, como de amigos, de país e de língua. Perdeu todos os contactos, renasceu de novo.. 

Com o regresso ao país, penso até que com a vitória de Portugal no campeonato europeu, e com o ingresso numa nova escola com muitos miúdos viciados no futebol, veio a paixão. A par das letras que nunca foram descuradas, veio a bola nos intervalos, trocada pelo computador ou pelos jogos.. Teve um ano repleto de piscina, futebol e escola. Tornou-se num nadador com uma pernada de gigante, e num guarda redes com potencial.. 

Este ano pediu para ir jogar para qualquer lugar, para evoluir e se distrair. Começou na segunda feira. Foi atirado às feras e veio a primeira pergunta que o intimidou: “De que clube vens”?!  “Eu não venho de nenhum” respondeu ele envergonhado.. Foi analisado da cabeça aos pés.. A ansiedade que levava só lha senti em 2,3 ocasiões na vida, dos momentos mais marcantes e intensos de que tenho memória. Fiquei de coração apertado. 

Nesse dia vim para casa a conduzir e a pensar que hoje há pressupostos para tudo.. Estes são treinos de captação, são 100 miúdos para 20 vagas.. E ele ontem confessava- me que só se queria divertir.. Ontem treinou e já defendeu. E eu bati palmas sozinha, e olhei cabisbaixa envergonhada, por detrás de uma rede, rodeada de desconhecidos que se conhecem enquanto me escondia por detrás do meu livro.. Não sei se vai ficar. A técnica, a experiência, o nível, poderão ditar que não tem qualquer hipótese. Desde que isso não seja o fim do mundo para ele, por mim tudo bem. 

Já lhe disse que será o que tiver que ser. Que a vida lhe irá reservar ainda muitos desafios, e que eu estarei cá para o aplaudir sempre, quer ganhe todas as apostas da vida, quer perca algumas.. 

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Da força. 

Tenho que ser forte. Desde há muito e todos os dias, sempre. Não sou pessoa de ser apaparicada, tudo o que tenho foi à minha custa, do saber-me virar, à forma como dou a volta por cima nos momentos menos bons, nas noites sem dormir, nas lágrimas que caem quando as mando parar.. 

Inspirarei fundo para aqui trazer o que senti nos dois últimos dias, protegida por uma rede [qual prisão aberta] que me vedava o acesso à ansiedade do meu pequeno [e minha também].. Não quero saber se ele joga mal futebol, se não te técnica, se não tem nível, quero apenas saber do que sente o seu coração. E nisso, meus amigos, não tenho dúvidas da mãe leoa que sou. 

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Obrigada. 

A quem me visita, a quem me lê, aos poucos que me acompanham sempre e sabem da rebelião que existe por detrás de um sorriso, aos que se preocupam, áqueles para os quais sei que sou mais que um simples comum, 

Obrigada. 

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