Admirável [ou não] mundo novo. 

Há muitos anos andava nos meandros do futebol da minha terra. Sei hoje que éramos puros como talvez sejam apenas as pessoas daquela terra. Sem preciosismos ou ambições vãs.. 

Estou doida com os joguitos entre pais que se fazem na assistência, estou doida com a concorrência atroz que há neste mundo, estou doida com as D.Dolores em potência que se encontram por ali.. A competitividade existente, o “meu filho é pedra basilar na equipa A”,  a atenção medonha nesta fase de captação, a forma como analisam o torneio, e a forma como eu, incrédula, assisto a isto tudo. Não sou capaz de abandonar o treino, não sou capaz de deixar o pequeno ali sozinho..E por isso sob um vento cortante a cada treino [foi ele que me trouxe esta constipação e esta tosse] obrigo-me a ali estar. Não bebo imperiais, não como empalhadas mas olho o pequeno. É só o que me interessa ali. Apenas e somente. Algo me diz que ele não vai ficar, e isto não é espírito derrotista, é analisar tudo com um olhar nu e cru. Que se calhar nem nunca parei para pensar que se a ambição não era o meu nome do meio [nem o dele], este nunca deveria ter sido o clube por onde começar.. 

Tenho um nó crescendo que me tem tirado a concentração e o sono.. Porque as crianças não têm estofo [ainda] para aceitar os nãos desta vida, e porque lhes pode alterar o pequeno mundo onde habitam. A realidade é muito mais dura do que parece, a vida começa agora a dar os primeiros pontapés. Mas também é nestas pequenas coisas que podem causar mossa que se nos abrem portas para a dureza do que vem mais para a frente.. 

A minha vida mudou, os meus horários mudaram, a gestão de tudo mudou, até os kilometros que faço e que são tantos, aumentaram. Ando muito na estrada, vejo diariamente muitos acidentes e juro que tenho muito medo. Não por mim, mas pelos outros. Porque a velocidade a que ando e o cuidado a que me remeto a conduzir são de mestre. Há em cada km que faço uma memória de um acidente que não se apaga nem da minha cara, nem da minha alma. Todas as manhãs o meu dia começa a esconder cicatrizes, qual quadro que se recria a cada dia. É assim há uma vida… 

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