Night, Night

Quem dera que isto fosse um sonho.. Quem dera..

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Done. 

40 minutos fechada num tubo. O enfermeiro notou-me a ansiedade, impossível explicar-lhe em tão pouco tempo o estado de nervos em que estou.. Não aprofundei. Pela primeira vez na vida achei que não iria ser capaz de fazer um exame médico. Estive para lhe dizer “Desculpe, não sou capaz”.. Ele disse-me para descontrair, para imaginar que estava numa praia deserta e fechar os olhos.  Eu apenas me foquei no stress dos últimos dias, em como me  haveria de calhar esta semana o projecto mais exigente que tenho que acontece 3 vezes por ano somente, e nos incêndios e nas suas vítimas. Deitei-me com 3 vítimas mortais, acordei com mais de 20, e no entretanto do exame passou quase uma dezena, que já ultrapassou. Eu não me posso esquecer disto porque tenho cinza em casa, nas varandas, no carro. Não consigo fazer chamadas telefónicas, nem sossegar a alma. Não pensei em praia nenhuma enquanto lá estava. Não relaxei, tinha uma pulsação de mais de 100 batidas certamente [a contrastar com a da minha mãe naquela madrugada que chegou a 39]..Precisava de dormir e perceber que tudo tinha sido um pesadelo, que a minha mãe estava apenas com as suas dores de costas, e que não tinham morrido tantas pessoas a tentar fugir de outra desgraça como a de Pedrogão. Quando pensamos que Pedrogão nunca mais iria repetir, olhamos e vemos que tudo está na mesma. E [pelo menos eu] não consigo avaliar de quem é a culpa, quem pode ser responsável. Não estou no pleno de forças, e o meu desempenho está aquém. Avisei Lisboa que nem eu, nem a região onde me encontro, nem as comunicações móveis de Internet, estão a conseguir..

😦

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