20 Anos, 20 Memórias. 

  • 1. Corria o ano de 1997.
  • 2. Penúltimo dia do ano.
  • 3. Trabalho da cadeira de Estética para fazer.
  • 4. Escolhi fotografar imagens do Alentejo.
  • 5. Saí de mota para fotografar por volta das 11 da manhã [o bichinho da fotografia já vivia em mim]. 
  • 6. Estava em jejum.
  • 7. No regresso, com um máquina compacta emprestada de uma amiga no bolso, o pior aconteceu.
  • 8. Tive um médico que esteve comigo desde o primeiro impacto, seguia atrás de mim de carro quando se deu o acidente.
  • 9. Esteve comigo até à chegada da ambulância, sempre a chamar-me pelo nome [que perguntou a populares que apareceram]. 
  • 10. A minha Mãe chegou ao pé de mim, 10 minutos depois do acidente, ainda estava a ser imobilizada.
  • 11. Lembro-me do que tinha vestido, calçado, e do relógio que levava.
  • 12. Já no Hospital desmaiei ao fim de meia hora a tirar as 10 argolinhas mini que tinha na orelha direita e fui reencaminhada para o Hospital Distrital onde estaria internada muitas horas no SO.
  • 13. Tive traumatismo craniano, múltiplas escoriações, uma lesão na face [restaurada com uma cirurgia plástica, 3 anos depois], um dente partido, uma cara triplicada de tamanho e uma apatia assustadora que indiciava lesões complexas. 
  • 14. Tive lesões no calcanhar que me obrigaram a andar de muletas durante dois meses, e uma lesão no cotovelo e na mão direitos que me obrigou a estar imobilizada um mês [não conseguia usar as muletas]. 
  • 15. Todas as lesões cicatrizaram com a gaze, no primeiro penso ficaram em carne viva de novo.
  • 16. Aprendi a escrever com a mão esquerda para escrever cartas às minhas colegas de universidade. Não tinha telemóvel, nem havia redes sociais.
  • 17. Emagreci muitos quilos porque não conseguia comer devido às feridas na boca. Passado um mês, reconstruí o dente com um dentista de vinte e tal anos, a quem ainda hoje agradeço a dedicação que teve àquela menina de 21 anos. 
  • 18. Fiquei dias a relembrar os nomes completos das minhas amigas, e de ruas da cidade onde estudava para me certificar que o traumatismo craniano era mesmo sem perda de conhecimento. Voltei à Universidade em finais de Fevereiro, quase irreconhecível.
  • 19. Todos os dias 30 Dezembro, a partir da hora do acidente, revivo todos os momentos.
  • 20. Nunca passo um ano sem ter a depilação completamente feita e corto sempre o cabelo, em sinal da mudança que o acidente operou em mim.

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