Learning. 

O ano passado já tinha pensado muito nisto. Este ano cumpri. Esperei para ver quanta hipocrisia existia neste Natal, de quantas mensagens se enchia a minha caixa de mensagens, de quantas pessoas me escreveriam algo ou de quem pura e simplesmente se estava a borrifar.

Tirando a típica mensagem que se deixa nas redes sociais e que, honestamente, nem aquece nem arrefece porque cheira a automatismo, a reply directo, a resposta automática, e tirando os especiais [tão poucos] a quem liguei, quis ver, quis testar, quem se lembraria de me dar um telefonema, de me desejar de viva voz um Feliz Natal. Estes exercícios são muito bons. Porque te centram, porque te orientam, porque te elucidam.

Este ano não liguei, não fui visitar. Algumas, tantas pessoas. Não recebi quase SMS, [lá se vai o tempo em que as tardes de dia 24 eram feitas ao som da banda sonora do toque das mensagens escritas], não recebi quase telefonemas. E fiz o mesmo. Tirando aqueles que considero partes de mim espalhadas pelo Universo, a quem fiz questão de ligar, de ouvir a voz, de me emocionar até como sempre, não me dei ao trabalho de ligar ou dizer o que fosse a todos os outros. Isto não acontece só comigo, estive nestes dois dias com muitas pessoas a quem o telefone tb não tocou, e o som das mensagens também não se fez soar. Talvez seja um sinal dos tempos, ou da vida das pessoas, não sei, honestamente.

Sei que me serviu de lição, e que veio apenas comprovar aquilo que eu já sabia. E isto nem sequer é rancor ou raiva. É apenas o constatar. Gosto dos meus amigos tal como antes, gosto dos meus tios tal como antes, gosto dos meus primos tal como antes, gosto de quem gosto tal como antes. Apenas preciso esquecer. Apenas isso.

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Dos vícios bons. 

Tenho este grande vício de fotografar que, costumo dizer muitas vezes, me salvou. Tenho rituais de fotografar diariamente e quando não o faço é porque algo se passa. Quase nunca consigo fotografar com a máquina, porque o ritual de fotografar com a máquina é uma coisa um pouco mais profunda que, tal como escrever aqui no blog, gosto de fazer sozinha, sem pressões, sem pessoas por perto.

Na véspera de Natal, logo ali enconstadinho à Consoada, fui fotografar [como faço sempre] o por do sol na minha praia. Do silêncio que emanava sob a praia deserta, e sob o céu composto com umas cores de outro mundo, chamou-me a atenção a presença de 3 autocaravanas. De outros países. Já passava das 5 da tarde e portanto aquelas pessoas iam passar o Natal ali mesmo, num local onde não existe nada, nem um café aberto, nem um supermercado, nem uma bomba de gasolina, nem pessoas, nem carros. Nada. Pura e simplesmente nada.

Aquilo deixou-me a pensar.. De facto não precisamos de estar no nosso país, rodeados da nossa família, ou do conforto e da fartura que recheia uma mesa de consoada. Podemos estar longe, fora do nosso país mas rodearmo-nos de tanta coisa espectacular que nos é oferecida gratuitamente, e que a Mãe Natureza nos oferece. Estas pessoas estavam sozinhas, nas auto caravanas, e vi duas delas acompanhadas de um cão a irem fotografar, quando já eu vinha a regressar. 

A fotografia apazigua as pessoas, traz calma e felicidade a muita gente, serenidade a outros tantos e paz a todos. Cada vez tenho mais consciência disso. De como a fotografia salva, quem se quer salvar. 

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Almost. 

E falta muito pouco para este ano acabar.. O tempo voa e escorre-nos das mãos.. É por isso que cada um de nós deve fazer aquilo que lhe dá na veneta, aquilo que o coração manda e que apetece à vontade.. Este não é, de facto, o tempo de engolir fretes ou fazer de conta. Este é o tempo de paz, de abraçar, de se fazer aquilo de que se gosta. Benditos os corajosos que largam tudo e voam à procura do que querem. Benditos os corajosos que têm sempre uma varinha mágica na mão com uma estrelinha na ponta. Benditos, os corajosos. 

Bom dia. 

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HOM. 

Há alturas em que não me aparecem corações. Não sei o que acontece, se sou eu que não os vejo, se pura e simplesmente não aparecem. Depois há outras alturas, outras horas, outros momentos, em que se multiplicam aos meus pés.. Isto não tem grande explicação, nem o aparecerem, nem o deixarem de aparecer. Sei que alguns se desfazem ao meu toque, sem que os consiga fotografar.. Não tenho que ter provas de que os vi, basta-me que cruzem os meus olhos..

Do que sei da Vida, prefiro muito mais os poucos corações que vou tocando que as notas de 100 euros com que não me vou cruzando…

Boa Noite, Especiais [longe ou perto]

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