Cranberries & I

Hoje foi um dia triste para mim. Senti um sismo, assustei-me, uma hora depois vi no Facebook que tinha morrido um vizinho de infância. Morreu o Ti Isidro. Tinha 92 anos e portanto poderão dizer que teve uma vida rica e cheia. Mas o ano passado tinha acordado com a filha em visitá-lo em casa logo que me fosse possível. E não cumpri. E agora é tarde demais. O vizinho Isidro fazia parte do rol de vizinhos que sempre me tratou pelo diminutivo do meu nome. Sempre. E isso eu não esqueço. Nunca. Chorei aqui a bom chorar. Porque de repente os vizinhos estão a ir todos. E isso custa.
Por volta das 17h, soube que morreu a vocalista da minha banda preferida. Tenho todos os álbuns e sei quase todas as letras de cor. Ouvi Cranberries desde a minha adolescência. Não posso [porque não consigo] escolher uma música para aqui trazer.. Porque as adoro a todas, porque chorei e ri imensas vezes a ouvi-las. E porque em 2011 vi pela primeira vez a banda ao vivo em Gaia, no Festival Marés Vivas. Já aflita com o meu karma, com uma crise de costas terrível, e uma tosse brutal [lembro-me como se fosse hoje], chorei tanto mas tanto de emoção, que viva o que viver jamais me esquecerei..

Hoje a Dolores partiu, de morte súbita, provavelmente com problemas de saúde agravados [muitos concertos foram cancelados o ano passado, inclusive o da Expofacic que prometi a mim mesma, ir sozinha]. Uma pena, tão mas tão triste.. 

Ode to my family, linger, dreams, zombie, when you are gone, just my imagination, can’t be with you, salvation, free to decide, animal instinct, são músicas que sei de cor e salteado, da frente para trás, de tantas centenas de vezes as ter ouvido.. A sonoridade da banda, a sua voz, o timbre, era algo de muito raro e invulgar..

Há pouco no banho não desenhei o meu smile motivacional no vapor.. Desenhei o oposto. Porque é como me sinto.

😦

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