Catching Stars. 

Boa Noite, Especiais

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Friday mood. 

O meu mood é de pijama. Com manta, e botija de água quente, que a Primavera afinal foi só um dia..

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Da estupidez que é o “SuperNanny”. 

Gosto de dar a minha opinião sobre as coisas e gosto pouco de não perceber o que se passa quando vejo a Internet cheia de uma polémica que não vi. De facto, acho que estreou domingo passado [não sei precisar ao certo] o programa “SuperNanny” em versão portuguesa, um reality show com pessoas reais, com famílias reais, que tem filhos tão, mas tão indisciplinados que pedem ajuda à “SuperNanny” .

Ora bem, eu fui à página da SIC ver o programa, para conseguir perceber, os motivos das indignações de tanta mas tanta gente, entidades, instituições. Fiquei perplexa. Juro que consegui ver apenas uns 15 minutos. Achei tão, mas tão humilhante e despropositada aquela situação que me recusei a ver mais.

O primeiro programa aborda a história da Margarida, uma menina de 7 anos, que vive há largos anos apenas com a mãe [divorciada do pai]. A mãe tenta fazer o seu melhor, nas calhou-lhe na rifa uma menina com um temperamento complicado, faz birras, testa limites, um castigo para tomar banho, um castigo para comer, só adormece no sofá com a mãe ao lado a dar a mão, quer dormir na cama da mãe, dá palmadas à mãe quando a situação não lhe agrada.. Enfim uma criança a ser criança, mas com uns rasgos mais aguçados de peste, daquilo que não deveria acontecer.

A avó da pequena, que reside perto, também costuma mandar bitaites na educação, o que em vez de ajudar, deve complicar ainda mais.

Esta mãe, desesperada, sujeitou-se a participar neste programa pela módica quantia de mil euros!! Mil euros!!! Por mil euros deixou que um cameraman e uma “psicóloga” estranha lhe invadissem a privacidade, as rotinas, e lhe dessem bitaites sobre a forma como faz isto e aquilo. Eu sei que pelas audiências vale fazer tudo, vale fotografar tudo, vale mentir, vale explorar sentimentos, mas isto é demais.. Esta criança tem apenas 7 anos, não sabe o que está a fazer, nem sequer percebe que se trata de participar num programa de um canal generalista exibido em prime time. E foi tão triste ver a humilhação, o sofrimento, as passas do Algarve daquela mãe, que mais não fazia que aquilo que achava o melhor para atenuar.. Tive [e tenho] períodos ocasionais bastante complexos na educação do meu filho. Tive dificuldades no passado, e por vezes no agora, porque acha sempre que pode fazer as coisas de determinada forma [que eu discordo]. Sou permissiva mas tenho regras e o meu Não, é Não. O meu Não pode até ser negociável, mas se é Não, não vai ser sim. Sou exigente com a escola porque desde sempre me empenhei nesse aspecto. Ensinei sozinha a língua materna do 1 ao 3 ano, e na mudança de escola [e de língua] entrou directamente para o 4 ano. Sem problemas, com resultados excelentes. O mérito foi dele [e meu, tenho que reconhecer]. Mas isto fez-me passar horas de luta, num país distante, a ser mãe, professora, amiga, confidente, educadora. Sei bem o que são birras, o que é uma personalidade forte. Consigo pois perceber o que esta mãe sofre.

O problema deste programa está no total desrespeito para com as crianças, com a sua intimidade, com aquilo que de mais precioso existe que é a sua vida, o seu recato, a sua individualidade. E isso chocou-me.

Conheço a Teresa Paula Marques há muitos anos. Licenciada em Psicologia pelo ISPA, sempre a li, mas nunca a imaginei neste papel deplorável que agora representa. Detestei a forma como apresenta o programa, como faz olhares levianos e críticos ao câmera [no decorrer das birras da pequena]. Totalmente deplorável, a forma como executa o seu papel. Manda bitaites sobre o que está mal, critica, mas nao apresenta um plano exequível de resolução. E isso é apenas triste. Não gostei do aspecto, do penteado ridículo em coq, da maquilhagem carregada e pouco natural, dos seus óculos [que até podem ser iguais aos meus, vá]. E assumo que poderia estar sugestionada e por isso ter achado isto tão mau..

Achei que o programa não iria passar do número 1, mas parece que comparado aos seus congéneres nos outros países da Europa e do mundo, este é tão soft que as entidades não têm como acabar com ele. Serões da SIC, onde as famílias estão em casa e sentadinhas no sofá, com as suas lareiras a crepitar, se deleitam a ver tristes episódios de birras em famílias, desesperadas, à beira de um ataque de nervos. Quão triste pode isto ser? “O encantador de cães”, com César Millan mostrava-nos que alguns não nasceram para ter cães porque não os conseguem educar.. O “SuperNanny”, vem mostrar o quê?! Que certas mães e pais não nasceram para o ser?! Que não são capazes de educar?! Mas educar uma criança, pode alguma vez ser um pacote de regras que se aplicam, quais pomadas em borbulhas?!? Cada criança, cada adolescente, tem a sua própria personalidade, tem a sua própria individualidade. Têm que haver regras, é óbvio [explico diariamente que não se podem comer Maltesers diariamente], mas não é chapa 5 para todos. Não pode ser, não acredito que seja. 

Que acontece agora à mãe da Margarida, e à Margarida?! Durante meses, em todo o lado, até na escola não acredito que não existam comentarios. Toda a intimidade ali, a cozinha, o quarto, a desarrumação que paira numa casa do dia a dia, tudo ali. E para quê?! Aquela “SuperNanny” resolveu alguma coisa com aqueles modos?! Aquela mãe precisa de ajuda sim, mas longe dos holofotes de uma câmera, longe de uma pseudo psicóloga que ganhou uns cobres valentes, mas que, afinal, de psicóloga no activo tem muito pouco. Escrever uns artigos qualquer um escreve, aparecer em programas como este é só para poucos malucos que queiram arruinar a carreira, agora ser um médico de excelência é que será apenas para muito poucos… 

Triste, “SuperNanny”, foi apenas Triste.

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