Good Night. 

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Quando o corpo pára. 

Ontem aconteceu-me uma coisa muito estranha. Tinha home office para fazer, e depois de tudo terminado, decidi que não iria para o terreno por não me sentir bem. Tinha sinais de cansaço e de falta de energia. Eram umas 9,30 – 10 da manhã e tinha tudo acabado. Roupas a lavar e mais uns afazeres domésticos. Por volta das 11 comecei a sentir-me de rastos, um sono fora do normal, completamente extenuada, rebentada. Ainda consegui estender a roupa e depois aterrei no sofá. Dormi profundamente desde as 11.30 e acordei às 13.16. Eu sei que não têm sido fáceis os últimos tempos, sei que me tenho aguentado com umas forças que nem percebo onde vou arranjar e que são aparentes, sei que isto tem que rebentar para algum lado, e sei que ontem o meu corpo parou. Literalmente. Estava como que hipnotizada, foi só tapar-me com uma mantinha e ainda nem me tinha tapado já estava a dormir.. Isto foi estranho, não sei sequer se alguma vez me tinha acontecido..

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Se puderes ver…

Vi agora que nem bom dia disse.. Às vezes os dias fogem dos pés, especialmente quando é preciso cumprir prazos de projectos que não páram, da vida e da azáfama que não pára e que não se coaduna com tempos sem força.. No final tudo se consegue. Porque afinal, nesta vida há remédio para tudo menos para uma saúde perdida, menos para tragédias que nos consomem e nos tiram o chão de debaixo dos pés..

Gosto de ajudar os outros, gosto de poder dizer aos familiares dos outros doentes que vêm de cidades distantes que lhes enviarei mensagem e tratarei de visitar os do seu sangue na sua ausência. A mim não me custa, a sério que não.. Do nada sinto-me recompensada nas inúmeras horas que tb passo ali sozinha, naqueles corredores pintados a verde da cor da esperança, essa que às vezes tb adormece..

Há muita coisa na vida que não interessa nada.. As marcas dos carros, das calças, das sapatilhas, os bens materiais que nada contam e para nada servem para além de nos distrair do que é importante… Uns olhos abertos, um respirar, um suspiro, um sorriso ou uma lágrima que se deita, por cima de um corpo nu, sem nada do que é acessório.. A vida ensina para caraças, tanto mas tanto.. 
“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara” José Saramago

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