Night, Night

Fim de semana passado, tempo agora de sonhar.

Boa Noite, Especiais

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Sunday. 

Tardes de domingo chuvosas.. Construções complicadas para este lado..

10 anos ainda é muito a tempo de sonhar..

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Que temporal.. 

Mas que tempo tão, mas tão manhoso.. Tempo instável com chuvadas, trovoadas e e muito perigoso.. Já há cheias por todo o lado, ninguém percebe muito bem como se passa de seca a cheia num tão curto espaço de chuvadas.. Enfim..

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Trovoada. 

Chove torrencialmente, troveja, está um tempo mesmo bom e maravilhoso é para estar em casa, no quentinho de uma manta com um livro e uma caneca de chá..

Bom dia, Especiais

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O Jardim. 

Nunca conheci os avôs, os homens. Tive só as duas avós. Uma partiu teria eu uns 7 anos, a outra partiu e eu era já adulta. Foi esta avó, a materna, que me marcou.

Já aqui falei muitas vezes dela. De como era dura, quase austera, uma mulher áspera na maneira de ser, com um jarro cheio de rebuçados de meio tostão para nos dar após horas de insistência. A minha avó nunca me deu miminhos, seria só nos finais de vida, já eu adulta, que me tratava sempre por querida.

Ficou viúva muito cedo com muitos filhos por criar. Ergueu sempre os braços para tratar do seu quintal que lhe dava os frutos, que numa cesta à cabeça, iria vender ao mercado. A casa da minha avó tinha um terreno gigante, e uma fila de laranjeiras em frente ao jardim. Tinha sempre porco para criar e galinhas e coelhos. Tinha umas 20 macieiras, quase todas bravo esmolfe, razão pela qual o cheiro dessas maçãs me transporta para a minha infância e para a sua casa.

Quando chegava a casa da minha avó ela tinha sempre um balde de diamantes para mim, um balde de figos da Índia. Os filhos da Índia passaram a ser pura e simplesmente aquilo que mais gosto de comer, até hoje. Tenho as mãos dela fixadas até hoje. A minha avó era enorme, alta e muito magra, e com umas mãos gigantes e compridas que foram ficando cheias de pintas com os anos. Tinha os dedos tortos e alongados. Enquanto me descascava os figos eu fixava-lhe as mãos…Haveria o futuro de se encarregar de tornar as minhas mãos quase iguais às dela.. 

Quando ela morreu, a família decidiu vender a propriedade. Nessa altura [como agora] eu não tinha dinheiro para a comprar, mas foi sempre com mágoa que, para mim, aquela casa saiu da família. A casa saiu da família mas não saiu de mim. Quem a comprou, não fez nada dela, continua como se a minha avó lá estivesse.

Às vezes vou lá com a minha mãe. Choro muito, mas vou. De cada vez que vou, roubo qualquer coisa, que é como quem diz, meto para o carro sem ninguém ver. São sempre os vasos que ela tinha. A minha avó tinha muita árvores, muitas figueiras, macieiras, laranjeiras e depois tinha flores, das selvagens, das da época, coloridas. Como eu adorava aquele jardim.

Ao ouvir a música da Isaura que ganhou o Festival, “O Jardim”, penso automaticamente no jardim da minha avó. 

Para vós a minha avó, e um vaso roubado que abrilhanta hoje, o não menos fabuloso jardim da minha mãe. 

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