Cidade [pouco] maravilhosa. 

Só fui uma vez ao Brasil, para o Nordeste. Adorei. 

Apesar de perceber de imediato tratar-se de um país muito longe daquele que as novelas da Globo me mostraram na minha infância, adorei. Pensei que pessoas como as que apareciam nas novelas estariam apenas pelo Rio de Janeiro, por S. Paulo. Em Fortaleza, em todas as praias que a rodeiam, não vi mulheres nem homens como os das novelas. Tive medo de ir à Praia do Futuro, mas fui. Nessa altura não tinha ainda o vício das fotografias e por isso não tenho assim muitas fotos, embora tenha muitas [não tenho é milhares]. Fui a Jericoacoara, Canoa Quebrada, Cumbuco, Lagoinha e Morro Branco, Praia da Lagoa Azul, Porto das Dunas e conheci Fortaleza de les a les. Tive medo do Brasil. Senti insegurança e medo. Os taxistas passavam vermelhos por causa da violência, tive medo nos cafés, nos restaurantes e no calcadao de Fortaleza nas minhas viagens às barraquinhas em busca de bugigangas e bikinis.

Ontem percebi o quão mal pode estar aquele país. Se a deputada Marielle Franco foi morta por polícias, a confirmar-se a teoria de que as balas que a mataram tinha sido compradas pela Polícia Federal, então a coisa vai mal. Se naquele país não pode haver liberdade de expressão, se a morte é a resposta, então meus amigos, poderei ficar com o enorme desgosto de nunca conhecer o Rio de Janeiro, essa, a cidade maravilhosa, mas serei incapaz de lá ir..

Não consigo conceber que num país irmão, num país que fala a mesma língua que eu, que amo-te se diz da mesma maneira e os gritos de sufoco se ecoam nos mesmos moldes, possa acontecer o que aconteceu..

Não me conformo, não aceito que outros possam acabar com a maior dádiva que alguém pode ter: a vida. Não é correcto, não é justo, não é admissível.

Triste, tão triste..

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