Dias não. 

Depois de visitarmos uma igreja, a esta hora em que uma das minhas mais especiais me dava a mão e eu a ela, exactamente a esta hora, assaltavam-lhe o carro para roubar a minha mala.

Partiram o vidro, entraram no carro e levaram a minha mala. Tinha roupas, maquilhagem e higiene, livros, o tablet da empresa e 2 carregadores de telemóvel. Levaram os artigos que lhes eram apetecíveis para fazer dinheiro.

Não trouxe a minha Nikon por milagre, não levaram os meus óculos graduados da Carolina Herrera que valiam mais que tudo o resto, por ignorância talvez.

A humilhação que senti ao apanhar as minhas roupas interiores no passeio, uns metros adiante, não tem precedentes.. Abandonaram a mala com tudo [espalhado por vários metros], menos o tablet e os carregadores.

A minha versão do que senti, escreverei quando tiver bateria que chegue.

Boa Noite.

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Dos transportes. 

Raramente ando de transportes públicos. Há muitos anos que perdi o rumo de me orientar com horários, com compra de bilhetes, com filas e com a partilha de um mesmo espaço com mais pessoas.
Toda a vida andei de transportes. Nas raras vezes em que, até aos 10 anos, saía de casa para ir ao médico, ou a feiras, ou onde fosse, era sempre de autocarro que ia. A falta de hábito era tanto que bastas vezes vomitava no trajecto, e levava sempre um saco de plástico já a contar com esta desgraça.

Nunca deixei de enjoar. Se conduzir não enjoo, mas se for ao lado à frente já tenho que ir concentrada, e atrás, focada literalmente na estrada. De autocarro é uma desgraça e de comboio tenho que me sentar no sentido da marcha. De avião levo sempre tanto medo que à mínima turbulência, o meu coração dispara e aí até com suores fico.

O facto de não viajar de transportes nada tem a ver com achar-me mais ou menos que alguém. Tem a ver com viver na periferia da cidade, com uma rede deficitária e caríssima de transportes, e ser sempre a opção do carro a utilizada. Sou freelancer, trabalho por minha conta, e faço imensas deslocações, preciso impreterivelmente do carro.

Uma vez por ano tenho reunião geral da empresa. É o único momento em que vejo presencialmente as chefias, em que são delineados os projectos, em reuniões intermináveis. Durante 2 dias, tem que haver oportunidade para dizer tudo aquilo que achamos que pode ser melhorado, tudo aquilo que nos incomoda, e para sabermos as alterações gráficas da revista, layouts, estudos futuros e impacto do trabalho na comunicação social. 

Apanhei o comboio antes das 9 da manhã. Vem cheio, à pinha, a abarrotar. Atrás de mim, uma senhora saca do seu pão com chouriço. 9.07 da manhã e ela trinca como se não houvesse amanhã. Um cheiro a chouriço inacreditável que me dá ânsias. 9.07h. Digam-me, alguém come isto a esta hora, dentro de um comboio apinhado?! Sou eu que bato mal?!

Um bom dia para esse lado

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