Social media influencer. 

Há mil e uma coisas sobre as quais me apetece escrever. Dessas mil e uma, escrevo apenas uma pequena parte, por outras mil e uma razões, sendo a falta de tempo a principal..

Andava agora a deambular pelo scroll irritante de quem espera que os olhos se cerrem e dou de caras com a novidade do dia.. A Cristina, essa one woman show, que apresenta um programa diário de televisão, tem uma loja de roupa, uma marca de sapatos, uma avença com uma empresa internacional de cosmética [ou já não?] com um perfume com o seu nome, uma revista com nome próprio, um verniz de gel com o seu nome lançado esta semana, mil e uma ocupações, mil e uma viagens por ano, e outros milhares de publicações em tudo o que é rede social, sobre TUDO o que se mete, com vista a likes, a negócio, do puro e duro, lançou uma nova colecção de sapatos. Que ela anda aqui para fazer dinheiro, e só assim fazem sentido as mil campanhas teaser das coisas em que se mete, já nós sabemos. 

Hoje lançou uma linha de sapatos juntamente com a Seaside, diz ela para poder chegar a toda a gente [a outra marca é cara e os pobres não têm acesso]. Isto pode parecer surreal mas grosso modo é dito assim mesmo. Assim, por preços muito competitivos, toda a gente pode calçar a Love Cristina. A colecção mete medo ao susto. Nem dados usaria a maior parte deles, quanto mais dar quase 50 euros por umas alpercatas de pano, com um lettering manhoso, ou umas plataformas de meter medo ao susto. Alguém explique a esta mulher que ela está enganada, que a maior parte da população não vai querer usar aquilo. Mal por mal faço negócio com o cigano da baixa que me anda a tentar vender umas sapatilhas há meio ano e até já me baixou 10 euros no preço..

Fico perplexa porque se quer dar a ver que tudo é um sucesso, que bla, bla, bla quando na realidade são apenas modelos duvidosos, claramente made in China, [nada contra, atenção] sobrevalorizados, e onde uma etiqueta não salva. Mas não salva mesmo. [90% das sandálias do Calçado Guimarães são mais giras]. 

Estas pessoas claramente com milhares de fãs e seguidores, são os chamados “social media influencers”; basicamente são aquelas pessoas que têm um estatuto que lhes permite vender como pãezinhos, os artigos mais foleiros do universo. É o que acontece com esta colecção, e que já vinha acontecendo com outras similares lançadas por figuras públicas. Aquilo cheira a fraco nas horas, e não há forma de poder ser diferente. 

[Como dizia o outro, “Menos, muito menos”..] 

Boa Noite, Especiais 

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Wednesday’s

Desistir é para os fracos, já diz o pequeno. Rotinas de quarta feira, faça chuva ou faça sol.

Às vezes pergunto-me onde vai este pequeno buscar a força, a perseverança, depois lembro-me de tudo o que tenho feito na vida e percebo que para quem começou a trabalhar num restaurante aos 13 anos do meio dia à meia noite, tendo estado no topo e descido novamente à base, batido às portas a fazer inquéritos ao fim de semana, tendo trabalhado de noite, de dia, aos fins de semana, feriados, e afins, realmente só lhe poderia ter passado o “desistir” como uma palavra ruim do nosso dicionário… 

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Mimos sem preço. 

A grandeza do que une uma mãe ao seu filho não tem fim ou explicação. Gerar uma vida, cria uma total dependência, mágica, infinita e intemporal. Sou hoje uma pessoa muito mais rica, mesmo com todas as dores de cabeça que tenho [mais vezes do que gostaria], e com todas as arrelias que o pequeno me provoca.
Não escondo que sempre achei que a cumplicidade de uma mãe com uma filha era maior do que com um filho, rapaz, homem. Hoje, não sei se é bem assim.. vejo exemplos que me mostram que um filho pode ser bem cúmplice da mãe e vice versa, muito mais do que relações de mãe/filha [as mulheres umas com as outras são terríveis, nalguns casos mesmo tratando-se de mães/filhas].

Ontem o meu filho foi a uma excursão como aqui escrevi. Levou uma mochila com tudo o que gosta de comer [estava hilariante, não só pela excursão, pela camioneta, mas porque ia comer o manjar dos deuses que lhe preparara de manhã, 3 cachorros, uma banana, um pacote de Ruffles só para ele, um donuts, 2 bongos, uma sprite, água, um chocolate Nestlé e um pacote de pistachos]. Como é possível podermos fazer uma criança feliz com tão pouco?!… 

As crianças levam sempre um dinheiro extra para comprar alguma guloseima, um gelado, o que seja. 

Ontem foi de uma forma muito comovida que terminei o meu dia. O meu filho tinha usado o pouco dinheiro que levara para me comprar uma prenda. Pediu o restante dinheiro emprestado a um colega para me comprar uma coisinha [dinheiro que hoje devolveu fazendo questão de ir tirar ao seu mealheiro].  

Ao invés de gastar o dinheiro numa porcaria, num gelado, em pastilhas, comprou-me um pacote de sementes da flor mais bonita que encontrou no expositor. Dizer como me senti é impossível. Às vezes tenho a sensação que o “papel” de mãe é aquele que desempenho melhor, apesar de noutras alturas achar que falho nalgumas coisas. Sempre quis que para lá de ter uma vida de sucesso, feliz e com saúde, fosse uma pessoa íntegra e sensível, que se focasse nos detalhes, nas pequenas coisas. Na minha vida percebi que são estas pequenas sementes, aquilo que me ficará para sempre. Não são as jóias, nem os presentes caros. São os que lhe vieram do coração, mesmo sem dinheiro para os comprar.

Não tenho palavras. Orgulho, é pouco.

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Eyes Open. 

Vejam tudo ao vosso redor, captem os pormenores, sintam a chuva na cara, os raios do sol até vos ofuscar os olhos, comam chocolates, fotografem flores, nuvens e céus cor de rosa. Inspirem a natureza, mas por favor não deixem de ver as coisas simples e maravilhosas desta aventura que é a vida. Eu passei a fazer isso e a vida deu uma volta.

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