Das pessoas II. 

Tenho muitas vezes dificuldade em decidir sobre aquilo que escrever. O que é interessante para mim pode apenas sê-lo para mim, e o que está na ordem do dia, tem tantas interpretações e visões diferentes que a minha é apenas mais uma.

Tenho sempre muita curiosidade de ver o que lê quem me lê. Já disse e volto a dizer que não faço peva de ideia de quem me lê, não me parecem lógicas as visualizações, e provêm de locais distintos, com uma cadência irregular que me faz estar a léguas. 

Sei quais são os meus artigos mais lidos. Isso são estatísticas que me são apresentadas [e que consulto] frequentemente.

O post “Das pessoas” é um deles. Falo do Eng. Valdemar Caldeira. Do fascínio que exerce em mim e em tantos outros. Confesso que acredito que muita gente tenha curiosidade de o conhecer e poucos tenham o privilégio [como eu] de o ver quase todos os dias a caminhar no meu trajecto para casa. Ele está abatido, anda tortinho, caminha sem o fulgor de outrora, mas fá-lo quase diariamente, com o mesmo afinco. Às vezes apetece-me parar. Dizer-lhe que já escrevi sobre ele, que gostaria que não tivesse problemas em me ligar se precisar que o transporte a qualquer lugar, ou se precisar de algo em que possa ajudar…  Faltou-me sempre a coragem. Há uma semana, vi um rapaz ajoelhado aos seus pés, a fotografa-lo em vários angulos. Ele impávido e sereno a acatar, qual figura que se sabe adorada por muitos. 

O Eng. Valdemar Caldeira é uma inspiração. Os pés já lhe saem dos sapatos [não tem já a parte da frente] e a gravata preta que todos os dias coloca, está gasta e cinzenta como as nuvens que lhe podem pairar muitos dias. Não quero imaginar quando não cruzar o meu caminho. Mas já sei onde vive [descobri num artigo de uma revista e juntando o trajecto que fazia e o percurso que poderia aguentar].

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Return. 

Das melhores coisas que o 25 de Abril nos trouxe foi a capacidade de lutar por nós. Pela nossa liberdade, pela nossa conquista, por um gostar de nós que nos obrigue a retomar, sem pressas mas sabendo que urge tratar do nosso corpo, da nossa mente e de nós, enquanto pessoas, enquanto elementos únicos desta sociedade composta por tantos. Estive parada durante tanto tempo que nem vos consigo dizer. Não sei quando foi a última vez que fiz exercício, teria que ir ao blog investigar. Sinto-me há alguns meses muito menos que um traste, como se vivesse [ou se tentasse viver?!] numa bolha. Sem energia para ler, escrever, correr, fotografar, respirar, inspirar, tratar e cuidar de mim. Tenho dores, nao durmo,e tentei ser muito forte numa força que nunca tive. Ontem fiz depilação a mim própria e hoje fiz 21 kms. Foi o [re]início da época. Foram os primeiros 21 k de 2018.

Agora não posso parar.

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25 de Abril. 

Porque outros lutaram para que, hoje, eu pudesse ter um blog onde escrevo sobre o que me apetece, em que dou as minhas opiniões com a liberdade que o fim da ditadura permitiu, e porque isso não tem preço, Muito obrigada, Abril!!

25 de Abril é para ser assinalado. Sempre.

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