Isto. 

Mesmo isto.

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Pois.. 

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Wednesdays. 

As quartas são sempre aqueles dias mais curtos, aquele dia em que nos sentimos no limbo do copo meio cheio, meio vazio, o meio da semana, a marca equidistante que separa um sábado do outro. Sempre olhei para as quartas de forma diferente, assim como tenho dois números favoritos, e olho sempre de forma diferente para esses dois quando os vejo no meio doutros, como tenho calçado favorito, calças com que me sinto mais confortável, e assim como tenho pessoas favoritas [ainda que distantes] que nunca conseguirei substituir porque nunca igualei a forma como me fazem sentir.
A quarta é o meu dia favorito. Seja a trabalhar, a lanchar com amigas, a almoçar com o pequeno, ou em casa a limpar e a arrumar. Porque a quarta tem o sabor dos dias úteis, o sabor do produzir, da actividade, do fluir das rotinas. Ao invés dos fins de semana que cheiram sempre a qualquer coisa estranha que não consigo clarificar. Sou pelo activo, claramente.

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Pedras no caminho? 

Quem assiste de perto a um atropelamento como eu assisti, quem vê uma pessoa ser atropelada brutalmente sabendo que o seu filho está pela mão dessa pessoa e deixa de saber do pequeno, nunca em circunstância alguma, poderá voltar a ser a mesma pessoa.

Tentei limpar todos os traumas do pequeno, tentei que a mente lhe ficasse límpida do que vira, do que presenciara. No meu caso, obviamente que me ficaram traumas. Tenho muito medo de atravessar estradas, mesmo em passadeiras. Sou incapaz de passar com carros em andamento mesmo que saiba que está vermelho para eles e, à partida, vão parar. Faço os possíveis para evitar ter que andar a pé em zonas com carros e mesmo a conduzir vejo peões a léguas, cedendo-lhes passagem perante o olhar incrédulo de alguns que não percebem porque parei. Demorei anos a recuperar do trauma do meu acidente, e agora demorarei uma vida a esquecer este episódio.

Hoje tentei lutar contra as fobias e atravessei quase uma dezena de passadeiras para percorrer uns 500 metros. Era mais cómodo para mim o carro, confesso, mas quis superar esse medo gigante de atravessar a estrada. Fiz um pequeno corta mato no caminho, e do nada estava a trabalhar noutra superfície, nunca esquecendo que teria que passar de novo as mesmas passadeiras no regresso. Juro que não é fácil. É como se uma pedra de dimensões gigantes me estivesse alojada sem a poder mover. E me tirasse a tranquilidade.

Há uma expressão do Fernando Pessoa que diz “pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”. No meu caso às vezes não as guardo, mas tropeço nelas, reparo nelas, e sei que me trazem aprendizagem. Muito duro o que vivi, mas darei a volta. Garanto que sim.

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D’Agora. 

Estou a começar a jornada agora. Chego a estar 12 horas fora de casa. Sem um local para me sentar a não ser o meu carro, que é o meu transporte,o meu escritório, tantas vezes a minha cozinha, o local onde leio, e onde faço as pausas. Se é complicado? Às vezes sim, custa, tantas horas sem um poiso, sem uma casa de banho. Mas a vida é assim mesmo e há que aceitar tudo.

Um bom dia para vcs, meus Especiais. [Infinito é mais que muito] 

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