When rescue means love.. 

Confesso que há muito um acontecimento internacional não me causava tanta ansiedade, tanta expectativa, tanta curiosidade sobre o desenrolar das operações.

12 meninos pertencentes a uma equipa de futebol tailandesa e o treinador, ficaram encurralados numa gruta durante mais de 16 dias. Foram resgatados, um a um, naquele que considero ter sido dos maiores e mais recentes actos altruístas de que tenho memória. A prova viva de que o que interessa nesta vida vai muito para além do que se tem, do que se possui, do que se ambiciona. Vi dezenas de horas de cobertura televisiva nacional e internacional, deste caso. Porque me chocou, porque tenho um filho daquelas idades, que joga futebol e poderia cada um daqueles meninos, ser meu filho. E em tailandês, chinês, ucraniano ou russo, ficou bem patente que o amor é universal e rege-se pelos mesmos pilares.

Benditos os corajosos que avançaram sem medo em busca de resgatar, uma a uma, cada criança, cada história, cada Vida.. Não consigo imaginar o que sentiram, não quero ser invejosa mas confesso que ambiciono a resiliência e a calma que usaram para conseguirem a superação. Não sei quantas horas aguentaria, nem sei muito bem se sairia viva da gruta alguma vez. Tenho problemas com sítios escuros, claustrofóbicos, com grutas e concavidades, lido mal com o desconhecido e o medo faz com que não seja capaz de nada. Seria incapaz de mergulhar durante muito tempo, não consigo gerir a cara debaixo de água, e fiquei quase em hiperventilacao ao ver algumas imagens de como decorreu todo o processo. 
Apenas há a lamentar a perda de uma pessoa, e se não fosse isso, tudo teria sido perfeito. Assim, sabe um bocadinho a fel porque aquela vida se perdeu, e que tanto custa pensar que alguém tenha interrompido as suas férias para ajudar e assim tenham acabado todos os seus sonhos e os daqueles que os partilhavam com ele.

Ainda assim é de louvar todo o processo. A forma como ciência e amor deram as mãos, em prol de salvar vidas. Porque a vida humana é tão somente a mais preciosa das pedras.. Não há palavra para descrever o sufoco e a angústia só de imaginar que algum daqueles meninos não se conseguiria salvar.

[Nunca meditei. Nunca soube nem sei como se faz. Sempre que me pedem para me concentrar, fechando os olhos, eu, sorrateiramente, abro um devagarinho, e sorrio. Sou como uma criança. Mas não tailandesa.

São quarenta e 2, forrados a muitos sonhos. Todas as horas dos dias.] 

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