Night, Night

Da série “Um dia vou ter um gato”..

Boa Noite, Especiais

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Sobre a efemeridade da vida. 

A semana passada perdi uma amiga. Ainda me custa falar disto porque foi num ápice que soube o que tinha e foi num ápice que a perdi, sem sequer ter a oportunidade de lhe escrever como dela gostava [já lho tinha dito antes, Graças a Deus], como admirava o talento que tinha para fotografar.
Sabemos todos pelas histórias que ouvimos, que a vida é uma passagem, que hoje estamos e amanhã podemos não estar, que num segundo tudo muda. Ouvimos uns e outros a dizer que devemos aproveitar cada segundo, cada momento, mas quantas vezes fazemos realmente caso do que ouvimos?!

A minha amiga aparentemente não tinha nada. A 14 de Julho sentiu-se mal, foi ao hospital, foram feitos muitos exames, tinha imensas dores de cabeça, vomitava e não se sustinha de pé, tendo estado sempre de cadeira de rodas. Aquilo passou, regressou a casa. 2 semanas depois, teve 2 aneurismas cerebrais, entrou em coma, ainda foi operada mas entrou em morte cerebral, morrendo um dia depois. O que é isto?! Porque acontecem estas coisas, com que explicação?!

Um talento inato para fotografar, companheira de um dos melhores fotógrafos do país, uma pessoa que me tratava sempre bem, tão querida, tão educada, tão preocupada. Sabia muito mais de fotografia do que eu alguma vez saberei, segundo ela, “dormia com a sebenta e por isso tinha obrigação de fazer bem”.. Tocou o coração de quantos com ela conviveram, tirou milhares de fotografias, tiraram-lhe milhares de fotografias espectaculares [nas centenas de workshops promovidos pelo marido, em que tb ela participava e onde servia de modelo em silhuetas, sunrises e sunsets]. O que mais choca aqui foi a rapidez de tudo isto. 2 semanas. Pode ser num segundo, num minuto, num mês.. O estado abrupto e pasmo em que fiquei. Sem pinga de sangue, completamente assustada. Continua a ser este o meu maior medo, que a vida me leve, num momento. É esse o meu maior medo.

Fotografem muito. Por favor.

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P. S. [Algumas dos milhares de fotografias que o marido lhe tirou]. 

Monday. 

Pela primeira vez senti que em Julho ainda era Verão como antigamente. Consegui sentir o sol no corpo, consegui molhar-me, consegui andar de calções sem frio. O tempo continua fechado ao acordar mas esperam-se temperaturas altas [parece que desta vez é que é] e faço questão de aproveitar todo o sol que ainda não vi. Vou gastar as embalagens que tiver que ser de protector solar, mas vou recuperar o bronze de outrora. E vou descansar, tentar serenar.

O prazer da leitura ainda é dos mais fortes para mim, mas o pequeno descobriu as sopas de letras e está a contagiar-me..

Bom dia.

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