Da série “Um dia vou ter um gato”… 

Nem sempre consigo aqui trazer tudo o que de diferente me acontece. Diria mesmo que muitas coisas não escrevo, não relato, porque fico sem perceber se têm interesse, se têm magia, se fará algum sentido aqui partilhar. O meu blog não tem histórias inventadas, poemas a pessoas que não existem, ou contos de fadas. O meu blog é real, fala de sentimentos de uma pessoa real que o começou numa altura muito dura e complicada da vida. Uma altura de solidão, de mudanças, de medos, de coisas novas, em que este canto muito contribuiu para o equilíbrio que não tinha.

Nunca publicitei o meu blog, nunca o promovi. Não tinha sequer metas, estava longe de imaginar que o iria ter durante mais de 5 anos, com uma cadência diária, sem nunca dele ter desistido.

A história que vos trago aconteceu a 17 de Setembro deste ano. Nunca aqui a contei porque sempre tive esperança de voltar a saber novidades sobre o caso, e pretendia contá-la nessa altura.

Num dia de trabalho normal, encontrava-me num retail park e já tinha terminado os projectos que tinha para as lojas dessa superfície. Dirigia-me ao meu carro no parque de estacionamento e eis que vejo um gato [teria dias] muito pequenino, branco, a correr, assustadíssimo, em diferentes direcções, completamente descoordenado, num pânico total. Pensei de imediato que tinha que o agarrar para o salvar de um possível atropelamento. A metros de mim, um homem na casa dos 40 anos, pensava o mesmo. Tentámos agarrar o gato sem sucesso, mas percebemos que se dirigia para debaixo da minha carrinha. Espreita daqui, espreita d’acolá e o rapaz diz-me que o gato estava na roda esquerda dianteira do meu carro. Ligo o carro, o ar condicionado, mexo o guiador e nada, nisto o rapaz consegue agarrar o gato para de novo o deixar escapar. Volta a escolher a minha carrinha como refúgio, mas desta vez seria ainda mais brilhante e escolheria o motor para se esconder.

Depois de muito tempo perdido [tinha projectos noutro shopping na outra ponta da cidade que tive que adiar], e de muita gente junta a tentar resolver a questão, percebemos que o gato estava no motor e não pretendia sair. Fiquei em pânico, para mim era impensável andar meio metro que fosse com o gatinho no motor do carro. Pensei friamente e já a andar a 10 à hora lembrei-me que a menos de 2 kilometros tinha uma oficina onde vou com frequência fazer estudos de pneus, onde conheço os donos e onde, elevando o carro me podiam ajudar a mim e ao gato. Devagar, muito devagar, alcancei a oficina. Como estacionei logo na entrada, perceberam de imediato que algo se passava. Em pânico, branca como a cal, expliquei a situação. Disse que pagava o que fosse preciso, mas precisava de ajuda. Toda a oficina parou, vieram os dois donos, as secretárias, e todos os mecânicos. Eram mais de 10 pessoas de volta do carro. Eu só sabia que o gato tinha dias, era branco e estava no meu carro, tinha a certeza disso. Elevaram o carro e tiraram a forra… E lá estava ele. O ar mais assustado do mundo num coração palpitante que metia dó. A mulher de um dos donos disse de imediato que o adoptava. O alívio que senti não tem palavras. Não sei se me emocionei, sei que pedi para tirar uma fotografia, e agradeci, agradeci muito.

[Já voltei à oficina para novo estudo dos pneus. O gatinho, arisco, fugiu de casa logo nos primeiros dias, nunca mais tendo regressado. Fiz o que consegui, mas o final não foi aquele que eu queria].

[Um dia vou ter um gato, tenho disso a certeza absoluta]. 

Boa Noite.

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6.

Já dia 6…os dias passam numa velocidade estonteante..Pensava que já estava em período off de trabalho mas enganei-me, para a semana ainda tenho que trabalhar.

A enxaqueca tem dado cabo de mim, que raio de dor de cabeça esta que me havia de atacar.. 

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New day. 

Novo dia a romper carregadinho de nevoeiro… 

Ando com enxaqueca há quase uma semana, e por isso tratar de mim também é [poder] voltar a descansar. Que nunca sofram desta desgraça, que aliada a outras mazelas se pode tornar desgastante, muito desgastante.

Bom dia para esse lado.

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