When you feel it.. 

Sinto os anos a passarem por mim. Muito depressa, num ritmo fugaz. Vejo aqueles que mais amo a ficarem cada vez mais velhos, a perderem capacidades, a perderem o gosto por este diamante tão precioso que é a vida. Vejo-me impotente sem nada conseguir fazer, baralhada que estou nesta angústia de não saber o que fazer, como, quando e porquê. Chegou o tempo de pôr as mãos à massa e fazer os pastéis.. Nunca tinha feito pastéis. 

Lembro-me que em pequena [desde e até à idade adulta, até há uns 4 anos atrás] detestava todos os doces típicos de Natal, as rabanadas, as filhoses, os sonhos. Achava tudo muito pouco saudável [continuo a achar] por ser frito e por saber quase tudo ao mesmo. Mas eis que a chegada dos 40 me mudou, e passei a adorar as açordas, as migas [sim papo até o pão todo esmigalhado], as broas e todos os doces de Natal.

Este ano a minha mãe fez a massa. Seria eu e a especial A. que trataríamos do resto. Estendi a massa, forrei a polme de batata doce, fiz os “moldes” dos pastéis e fritei. Estou muito aquém de ter feito algo de jeito mas foi a minha primeira vez. Nas próximas serei mais perfeita e não terei a pressão de falhar. Ficaram grandes, grossos, desajeitados e tristes. Mas sabem às maravilhas, a batata doce, a canela e a erva doce.

Foi um misto de tristeza o que me invadiu nesta tarde de pastéis. É tão duro e violento sentir que aos poucos os nossos se vão, de bocadinho em bocadinho..

Escolhi o mais perfeito dos imperfeitos para fotografar.  

Para vós, os meus primeiros pastéis de batata doce.

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After. 

E chegámos a 26. O Natal está passado, a mesma agitação de sempre, este ano muito diferente. Troquei o fotografar do por do sol pelo estender e fritar da massa dos pastéis de batata doce. Fiz uma árvore de natal na manhã do dia 24, ainda fui às compras..Olho para tudo de maneira diferente.

Bom dia para esse lado

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