When you feel it.. 

Sinto os anos a passarem por mim. Muito depressa, num ritmo fugaz. Vejo aqueles que mais amo a ficarem cada vez mais velhos, a perderem capacidades, a perderem o gosto por este diamante tão precioso que é a vida. Vejo-me impotente sem nada conseguir fazer, baralhada que estou nesta angústia de não saber o que fazer, como, quando e porquê. Chegou o tempo de pôr as mãos à massa e fazer os pastéis.. Nunca tinha feito pastéis. 

Lembro-me que em pequena [desde e até à idade adulta, até há uns 4 anos atrás] detestava todos os doces típicos de Natal, as rabanadas, as filhoses, os sonhos. Achava tudo muito pouco saudável [continuo a achar] por ser frito e por saber quase tudo ao mesmo. Mas eis que a chegada dos 40 me mudou, e passei a adorar as açordas, as migas [sim papo até o pão todo esmigalhado], as broas e todos os doces de Natal.

Este ano a minha mãe fez a massa. Seria eu e a especial A. que trataríamos do resto. Estendi a massa, forrei a polme de batata doce, fiz os “moldes” dos pastéis e fritei. Estou muito aquém de ter feito algo de jeito mas foi a minha primeira vez. Nas próximas serei mais perfeita e não terei a pressão de falhar. Ficaram grandes, grossos, desajeitados e tristes. Mas sabem às maravilhas, a batata doce, a canela e a erva doce.

Foi um misto de tristeza o que me invadiu nesta tarde de pastéis. É tão duro e violento sentir que aos poucos os nossos se vão, de bocadinho em bocadinho..

Escolhi o mais perfeito dos imperfeitos para fotografar.  

Para vós, os meus primeiros pastéis de batata doce.

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