25.

Só gosto de passar o 25 de Abril no Alentejo.

No centro e norte do país o 25 de Abril é apenas um dia feriado como os outros. Não se ouve o Zeca Afonso em cada rua, em cada esquina, não se vê um cravo vermelho nem ao peito, nem em jarras nem em lugar algum. Não há sentimento na comemoração de Abril, como se não o tivessem vivido com o mesmo afinco, com a mesma determinação.

Abril é Alentejo. Sempre assim foi, sempre assim o vivi. Não há município no Alentejo que não tenha o seu concerto de Abril, a sua celebração de Abril. Sei todas as músicas do Zeca, para mim cravos vermelhos são Abril apenas e só, e tenho muito orgulho de pertencer a uma zona que celebra Abril como nenhuma outra.

Pode o dinheiro todo estar aqui para cima, que para mim não há terra como a minha.

25 Abril, Sempre!

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25 Abril, Sempre!

Porque há 45 anos muitos lutavam pela liberdade que hoje temos, pela liberdade de escrever (esta liberdade que nós tanto apreciamos e que muitas vezes nem nos lembramos que não foi sempre assim), pela liberdade de estar, de viver, de falar, de respeitar as diferenças. Porque muitos lutaram, saíram à rua numa cruzada que lhes haveria de sair vencedora. Nasci dois anos depois da revolução e por isso só os meus pais se lembram desses tempos árduos. Sei a forma como comemoram Abril, o empenho e a perseverança com que fazem questão de estar presentes.

Abril tem que ser para comemorar sempre. Nem que seja em silêncio e em agradecimento. Prezo muito a liberdade que tenho de, aqui, tudo poder escrever, sobre todos os temas, sobre todas as minhas angústias, sobre tudo aquilo que sinto.

Viva a Liberdade, Hoje e Sempre!

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