Dia de Portugal.

O dia de Portugal vive-se mais pelos portugueses que estão lá fora do que por nós.

É lá fora, lá longe, que o orgulho nacional se eleva. É lá fora que o vinho do Porto sabe melhor, é lá que o caldo verde se torna a sopa mais apetitosa do mundo das sopas, e que a farinheira e o chouriço ganham honras de estado. Onde o pastel de nata faz babar só de olhar para a imagem e o bacalhau se imita em casa como se estivéssemos aqui. É lá fora que se é capaz de comer uns 12 pastéis de bacalhau de uma só vez (mesmo que não sejam daqueles mesmo bons), ou uma travessa cheia de rissóis ou empadas.

Onde uma garrafa de Monte Velho se guarda qual preciosidade como se fizesse algum sentido chamar preciosidade a um vinho de 5 euros. Onde se anseiam por azeitonas, por castanhas, por broa ou pão alentejano, por pêra rocha do Oeste ou laranja do Algarve. Onde o hino se sente como em nenhum outro lugar. Onde o verde e o vermelho deixam de ser as cores dos semáforos que se entroncam nos cruzamentos, para serem as cores ricas de um País grande.

Onde ouvir Mariza, Amália ou o Pedro Abrunhosa nos encerra os olhos transbordando de lágrimas. Onde o 10 de Junho se vive como um verdadeiro feriado não o sendo lá, longe, onde estamos.

Viver lá longe é uma grande mágoa, mas também uma grande lição onde se aprende como o nosso País é Grande, Gigante… Tenho saudades de viver o 10 de Junho a respirar Portugal de sol a sol. Aqui é só mais um feriado. Ouvi ao longe uma cerimónia na televisão e não vi uma, uma que fosse, bandeira nacional. Em nenhuma casa, em nenhum edifício público, em nenhuma avenida, em nenhuma mão..

Sou portuguesa dos 4 costados. Não quereria pertencer a nenhum outro lado, por mais rico e auspicioso que fosse. Sou daqui e daqui serei até morrer.

Viva Portugal.

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